Ao largo


Mais que à população norte-americana, a saúde do Presidente Donald Trump interessa a todos os habitantes do Planeta. Não porque dele se possa com justiça esperar alguma contribuição para a paz mundial ou a solução de problemas enfrentados pela maioria da população da Terra. Muitos dos que acompanham o noticiário Internacional torcem pelo pior. Ajustados ao clima de ódio, em grande parte devido à pregação e à conduta de Trump e de seus admiradores, há os que desejariam ao Presidente dos Estados Unidos o mesmo destino dos quase 250 mil norte-americanos que a covid-19 já matou. Não é isso, porém, o que desejamos nós, os que de algum modo e por alguma razão nem sempre compreensível, cremos na possiblidade de regeneração até dos piores monstros. Talvez tenhamos aprendido algo, nos circos frequentados na infância. Além dessa expectativa, a de ver Donald Trump derrotado na eleição de novembro, e de vê-lo responsabilizado pelos crimes cometidos, contra a democracia e contra a saúde pública. Neste caso, é de pouca valia a hipótese comentada pelo economista Joseph Stiglitz, atribuindo a Donald Trump a mesma loucura de Nero. Isso excluiria o caráter criminoso dos seus atos, assegurando-lhe oportuna inimputabilidade. Em consequência, a impunidade. Pior, porém, é o que alguns analistas preveem em relação ao Brasil, caso Joe Biden chegue à Casa Branca. Nesse caso, imagina Lucas Mendes (âncora do programa Manhattan Conexion, da Globo News), Jair Bolsonaro adotaria antiamericanismo ostensivo e exagerado. O mesmo jornalista afirmou no domingo último, que o pragmatismo do Presidente brasileiro só afeta ele mesmo e seus familiares. Os interesses nacionais passam ao largo. Por estranha que pareça, a hipótese de Lucas Mendes tem lá seus fundamentos. Quem diz uma coisa de manhã, à tarde desmente o que disse e desfaz à noite o que desdissera, é bem capaz disso.

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