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Antecipação

O Dia de Finados este ano foi antecipado. Também multiplicada a razão pela qual existem cemitérios. Mais de 120 brasileiros tiveram tiradas suas vidas, como resposta a crimes de que as vítimas eram acusadas. Com palavras antes ditas por governante de outro país, chamando-as de narcoterroristas. Nome usado para pô-las na mira das armas com que alguns costumam resolver suas pendências - uma briga de rua, um abalroamento no trânsito, o desacato de um desconhecido. Também o homem que não compartilha os mesmos valores, as mesmas preferências, o fazer político. Um povo inteiro, condenado a vagar de terra em terra, a despeito do discurso vazio que o ilude há quase um século. A chacina dos presidiários, postos sob a custódia do Estado, no Rio de Janeiro, faz dobrarem os sinos muito antes do dia esperado. À dor e ao sofrimento imposto às famílias, acrescenta-se a quase consagração de uma pena alheia às leis brasileiras, nas quais Cesare Beccaria teria remota hipótese de validar. O que a Constituição não previu e a legislação não conseguiu tornar vigente, as autoridades do Rio de Janeiro tornaram realidade. A pena de morte e seus horrores - nada menos que isso, ao mesmo tempo em que ceifou a vida de seres humanos, seja lá por qual razão tenha ocorrido, gera na sociedade a certeza de que temos caminhado para a barbárie. Impossível admitir que dentre os assassinados dia 28, no Rio de Janeiro, só havia anjos. O que se deve discutir é o direito auto-outorgado às autoridades policiais fluminenses de usarem, para combater o crime dos presidiários, pena alheia ao ordenamento jurídico nacional. Quando o finado é produzido por meios dessa natureza, falece a própria moral do poder público que os utiliza. Dobrem os sinos!

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