Anseios divergentes

Talvez não tenha jamais passado pela cabeça (?) do capitão Jair Messias Bolsonaro ser mais fácil chegar aos objetivos, sem bombas explodindo em reservatórios e mananciais de água. Instalado em outro posto, tendo na mão uma caneta Bic não uma bomba, cercado de colegas tolerantes em demasia, tudo ficou mais fácil. Com uma vantagem adicional às que inspiraram o malogrado atentado. Neste, ainda que não se tenha qualquer número previsível de vítimas potenciais, 30 mil mortos não parecem número admissível. Matar tanta gente seria viável, tendo nas mãos armas adquiridas com o dinheiro de todos. Esta, segundo Bolsonaro, foi a grande frustração que a ditadura lhe ofereceu. A ocupação do principal gabinete do Planalto, portanto, ensejaria a desforra. Em proporções tais, que já matou quase 170 mil pessoas e permite estimar a matança de muitos mais. Das mortes registradas sabemos todos, menos pelo esforço das autoridades públicas, que pela constituição de um grupo de meios de comunicação privado. Não bastou isso, porém, para consumar a vingança do ex-capitão. É preciso perseguir tenazmente o objetivo que a leniência judiciária estimulou. Agora, multiplicando o trágico resultado, em futuro que ninguém arrisca limitar no tempo. Assim se traduz a reação do Presidente à decisão da ANVISA, suspendendo a pesquisa do Instituto Butantan associado a um laboratório chinês, Sinvac, em etapa avançada na criação de vacina para a covid-19. Em relação ao fato – a suspensão da pesquisa – nossos sábios da Economia podem encher a boca e dizer, há efeitos para a frente e para trás. Do alto da minha ignorância científica e econômica, resta-me a dúvida: pode-se chamar a isso genocídio? Os anseios da ANVISA e do Presidente parecem não coincidir.

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