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Anne Frank - um diário sem autoria

Acabo de ler O diário de Anne Frank. Estamos em junho de 2016. Motivado pelos amigos Anne e Jaime Benchimol, dediquei-me à leitura de um dos clássicos da literatura de guerra. Neste caso, do conflito entre o Eixo Berlim-Roma-Tóquio contra os Aliados, os Estados Unidos e a Inglaterra na liderança destes. Não se despreze, contudo, a contribuição da então União Soviética e da França. A primeira, com a importante participação dos fatores climáticos; a outra, com a admirável resistência, de que os maquis dão o belo exemplo.

Símbolo de toda uma época, especialmente de período dos mais trágicos dos anos 30 (o fim destes) e 40 (nos cinco primeiros anos), a obra descreve em pormenores o sofrimento não apenas dos ocupantes do Anexo - como o (a) autor(a) chama as reduzidas dependências do sótão de um estabelecimento comercial, em Amsterdam, Holanda. Embora as personagens desse romance (mais tarde justificaremos a classificação) apareçam mais nitidamente na narrativa, importa observar o mundo exterior, para além do sótão.

Se, dentro daquele espaço da rua... um pequeno grupo de judeus procurava fugir à sanha dos nazistas, por toda parte da Europa soavam as bombas de um e do outro lado em conflito. Polônia, Holanda, Itália, França, Bulgária já estavam sob domínio alemão, mas a Inglaterra, a União Soviética e os Estados Unidos da América do Norte ainda resistiam às tropas de Hitler. Resistiam e traçavam planos para liquidar as pretensões do Eixo, ainda que para isso (não) fosse necessário lançar a bomba atômica. Os grandes testes precisavam ser feitos, bastava esperar a hora de usar a arma que a ciência e a tecnologia puseram nas mãos dos beligerantes do lado de cá. Afinal, " no amor e na guerra vale tudo", como o (a) autor (a) do romance escrito em forma epistolar o assevera.[i]

O leitor já se terá dado conta da dúvida que me faz atribuir a autoria a uma pessoa de que não conheço o sexo. E logo concluirá que não estou convencido de que se trata da menina de 13 anos tão celebrada. Nem sou o primeiro leitor a reagir dessa maneira, pouco elegante talvez, mas sobretudo cética. Ainda mais depois de saber dos acontecimentos que sobreviveram à morte de Anne e antecederam a publicação do livro a ela atribuído.

Talvez valha a pena fazer ligeira incursão nesse imbróglio.

[i] O diário de Anne Frank. Tradução de Ivanir Alves Calado. 20ª edição. Rio de Janeiro, RJ. BestBolso. 2013.p.28.

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