Amor e medo

Depende da percepção de cada um a apreciação da realidade. Por isso, fatos evidentes postos diante das nossas caras têm interpretação tão diversa. O Estado, encarrega-se, então, de definir as coisas. Sem isso, não haveria o mínimo consenso, o quanto bastasse para manter a paz na vida social. A experiência de cada um, tanto quanto sua índole, dá à percepção do formato, a moldura dentro da qual a realidade é interpretada. Quando se diz que o Brasil vive uma guerra contra as drogas, ocultam-se outras variáveis e se permite a disseminação de ideias e ideologias admissíveis quando a sociedade humana estava em seus primeiros estágios. Mesmo sem se terem sabidos todos os ingredientes do transporte de 39 quilos de droga em um avião oficial, já se ouve a afirmação de que 24 dos 25 mortos no massacre da favela do Jacarezinho, dia 06 de maio, eram bandidos. O nome do desafortunado policial já é conhecido, sem que seja divulgado sequer o nome de um dos que se classificam como bandidos. Tudo, em nome de uma guerra que a maioria rejeita, conceitual e realmente. A rigor, nem seria necessário repetir as trágicas incursões das forças de segurança nas favelas, nem expor os profissionais pagos pelo contribuinte cidadão ao risco de perder a vida. Os erros - se não são coisa pior - das autoridades,, assim, acabam por acirrar o ânimo de todos os lados envolvidos, sem que os resultados benéficos à população sejam alcançados. Dentre tantas outras consequências vergonhosas, surgem o culto às armas e o endeusamento de justiceiros, não de líderes respeitáveis e respeitados pelos liderados. Algo compreensível, diante do lema que justificaria tanta barbaridade: se não me ama, que me temam!

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