Ambiente pesado

O ambiente anda pesado, mesmo. Em todos os sentidos e por vários motivos. Se tomamos o peso como falta de sorte ou má sorte, basta lembrar a figura chamada a sentar na cadeira do funcionário mais graduado. Melhor sorte merece o Ministério do Meio Ambiente, cuja preservação e defesa contabiliza algumas mortes, de que das mais emblemáticas são as do preservacionista Chico Mendes e da irmã Dorothy Stang. Embora suficientemente claro o objetivo do titular do MMA, quase diariamente ele dá motivos para a oposição que vem sofrendo, às vezes até de seus colegas, sinistros e ministros. Disso dão conta os encargos atribuídos ao vice-Presidente Hamilton Mourão, uma espécie de vice-rei da Amazônia. Muitas das atribuições do MMA passaram à coordenação direta do também vice-Presidência da República, o que esvazia o papel do titular da Pasta. Mesmo assim, este não perde a oportunidade, criada por ele mesmo ou não, de revelar quais seus verdadeiros interesses e propósitos. Enquanto vários ecossistemas são devastados pelo fogo, Ricardo responsabiliza a falta de saneamento e parece confundir os gases causadores do efeito-estufa com os gases produzidos pelo intestino das pessoas. Como se pessoas e vacas pudessem ser igualmente responsabilizados pelos prejuízos impostos à camada de ozônio. Vai ver, é isso mesmo e ninguém me avisou. Para o sinistro do meio ambiente parecem demasiado pesadas as responsabilidades do cargo, em contraste com a leveza de seus conhecimentos, propósitos e compromissos com a sociedade brasileira. O terceiro sentido, afinal, liga-se à impossibilidade de tratar adequadamente as questões ambientais, quando setores tidos e havidos como antiambientalistas já se manifestam sobre a necessidade de políticas de preservação. Paira sobre o ambiente (já aqui estão os gabinetes oficiais e órgãos ligados ao setor) um clima pesado, como nunca antes.

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