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Amazônia e independência

Em tempos de globalização e intensificação das comunicações entre nações, povos e governos, há que atentar para a permanência de certos conceitos. Não pelo que eles possam conter de errados, mas pela incompatibilidade apresentada em relação às mudanças que a época determina sobre todos os fenômenos. A Natureza, como se pode testemunhar, não tem sido preservada dessas alterações. Ao contrário, como a evidenciar provérbio duradouro – o homem é produto do meio...e vice-versa. Quando as águas repletam as cidades e as fazem afundar, às vezes num lamaçal sem precedentes; quando vulcões matam ou desalojam populações inteiras; quando os ventos por onde passam velozes e vorazes produzem destruição e morte; quando a invasão de espaçosos territórios causa o desnudamento do solo, a poluição dos cursos d’água e alterações substanciais na temperatura do Planeta, não há como contestar a sentença proverbial. Não há um só dos fenômenos naturais hoje experimentados que não seja produto da ação humana, que os doutos chamam – et pour cause – antrópicas. Nada de que Ciência não possa dar conta, nem que a tecnologia se veja impossibilitada de evitar a ocorrência, mitigar as consequências, reduzir as perdas - no mínimo. Que se contam em milhares de vidas humanas, aspecto quase sempre negligenciado, quando comparado aos prejuízos materiais decorrentes. Mesmo os conceitos elaborados nos mais respeitáveis gabinetes dos cientistas sociais parecem ameaçados. Menos pela ausência de reflexão e criatividade dos estudiosos. Pesam mais, neste caso, os interesses de grupos profissionais de quase todos os campos do conhecimento. Porque a vontade, esse traço definitivamente determinante das ações humanas, sobrepõe-se a todos os outros itens do vasto elenco de sentimentos e aspirações do descendente do pitencanthropus erectus. Seja a vontade individual ou coletiva, seja a vontade própria ou a induzida, estimulada ou manipulada, sem ela seríamos todos escravos do instinto. Esta condição, presente nos animais, inferiores e superiores. Isso tudo é escrito, para saudar e cumprimentar com entusiasmo adesivo a mesa-redonda que a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência realizou dia 6 último, sobre Amazônia pela Independência e Democracia. Liderada por Marilene Corrêa Freitas e Ennio Candotti, a SBPC reuniu colegas de diversas instituições empenhados em romper a letargia que o professor Luís Balkar Pinheiro denuncia, em relação às verdadeiras questões amazônicas. Ontem (1966/67) dizia-se que no Amazonas não havia gestores capazes de criar uma economia pujante. Hoje, a ignorância põe pesadas lajes (como as que foram postas sobre os poços de petróleo da região) sobre a realidade: 26.000 pesquisadores; 4.500 grupos de pesquisa; enorme multiplicidade de questões a serem identificadas e resolvidas. Não custa lembrar, pegando o mote que a jornalista e colega Ivânia Vieira oferece (Sobre independência e democracia na Amazônia, A Crítica, 12-09-2023, A2), que em 1986 foi proposta pela direção da Faculdade de Estudos Sociais um projeto objetivando levantar a história da ZFM, seus percalços e resultados. A comunidade de professores da unidade simplesmente ignorou a proposta. E não pudemos festejar a maioridade da iniciativa. Por isso, ela permanece menor. Pior que isso, a proposta permanece atual e poucos se dão conta disso.

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