Acima de tudo, acima de todos

Apressam-se os passos em direção à completa autonomia do Banco Central. Mesmo que para isso venha sendo necessário usar pretexto assaz proclamado com relação à inflação e aos juros. Desses, dizem os neoliberais serem intocáveis, seja pela Constituição, seja pelas leis complementares e ordinárias. Haveria choque direto com as leis do mercado, e estas é que devem sempre prevalecer. Agora, a toque de caixa e tarol, o Congresso faz da pretensão autonomista do BC mais um dos bois da boiada que o sinistro Ricardo Salles empurra porteira adentro. E nunca mais teremos inflação, dizem os arquitetos e defensores dessa nova ofensa à cidadania e à democracia brasileira. A fixação de mandato para os postos de direção do BC é apenas uma, talvez a mais grave das decisões que colocarão os rentistas acima de todo o povo brasileiro. A concretização do velho ditado as raposas tomando conta do galinheiro, a absoluta e inadmissível submissão do Banco à voracidade dos rentistas é uma bofetada na cara do povo brasileiro, cujo sofrimento é simplesmente desdenhado pelo grande negócio e pelo governo que a ele se mostra obediente. Mais que em muitos outros países afetados pela doutrina hostil a Robin-Wood, o Brasil sempre encontra um jeito de destacar-se. Mesmo quando tal destaque revela o que temos de pior. Agora, se ouvirão imbecis empertigados, gritarem: o Banco Central acima de tudo e acima de todos!

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