Achados do ex-procurador

Quem tem boa memória lembrará o espetáculo em que o ex-procurador Deltan Dallagnol marcou o grau de ódio devotado ao cidadão Luís Inácio Lula da Silva. A projeção em power-point por ele produzido é fundamental para traduzir as intenções do grupelho por ele integrado, com a cumplicidade de outros justiceiros, um dos quais tentando agora eleger-se Presidente da República. Fossem verdadeiras as intenções agora desvendadas, caberia apelar para a máxima de bem-intencionados o inferno está cheio. Não é este o caso, porém. Os propósitos dos conluiados na Operação Lava Jato têm sido sucessivamente identificados. Todos, longe de evelar intenções louváveis. Desde o frustrado abocanhamento de expressivos recursos financeiros para uma fundação privada controlada pelos justiceiros, até a frustração de ganhar um assento no topo do Poder Judiciário Nacional. Mais recentemente, chegam ao conhecimento público novos ilícitos praticados pela maldita grei. A revelarem, ainda, ignorância acadêmica inadmissível em quem ocupa posição semelhante à em que Dallagnol e seus cúmplices ganhavam, oficialmente, o pão de cada dia. Na fase mais aguda do ativismo malsão, o sócio de Sérgio Moro desejava sobrepor-se ao que ele mesmo chamou “burocracia”, nada mais que as formalidades essenciais ao que os juristas chamam ato jurídico perfeito e acabado. Em mensagem por ele dirigida a um tal Januário Paludo (que seu extremado e extremoso patriotismo chama January), Dallagnol nega a necessidade de saber ao menos o be-a-bá do Direito, para condenar os de que não se gosta. No caso, um ato falho, a comprovar sua ignorância a respeito até do conceito mais elementar, que qualquer calouro das faculdades de Direito conhece – o ato jurídico perfeito. Raramente o justiçamento se encontra com a Justiça.

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