Absolvição difícil

Quando a História for contada, não será confortável a imagem da imprensa brasileira nas páginas que tratarem do assunto. Em que pese em alguns momentos específicos de nossa trajetória o papel relevante que os ditos meios de comunicação desempenharam, essa relevância se tem reduzido. Responde por ela a dubiedade, quando não o compromisso deliberado, característica na abordagem da política nacional. Negando-se a informar com isenção (imparcialidade, nunca, pois disso só são capazes - ainda bem! - as máquinas), os ditos analistas não conseguem pintar nas cores reais a realidade que dizem descrever ou comentar. Torna-se transparente para quem acompanha o noticiário, o esforço dos profissionais para esconder os interesses que os movem. Ora, porque lhes tem a incomodar os calcanhares o medo de perder o emprego; ora pela razão simples e simplória de que a rigor não discordam dos que criticam, mas não ficaria bem na foto elogia-los abertamente. O politicamente correto. Correto para quem? Daí a frequência, que podemos esperar crescente, de bate-boca entre os integrantes da mesma equipe de comentaristas. Pretensos defensores da democracia, no máximo deixam-se intimidar na crítica de medidas que impõem novos e sucessivos sacrifícios aos trabalhadores. Empregados dos meios de comunicação repetem velho lema da RCA Victor, a voz do dono. E saem a alardear sua independência profissional. Outros, apostando na desmemória e na absoluta parvoíce do telespectador ou leitor, timidamente fingem rejeição a decisões oficiais, sempre louvando as medidas econômicas e reivindicando maior vigor no ataque aos direitos dos mais fracos. A história, espero, não os absolverá. A não ser que escrita por quem nela não acredita, como Fukuyama.

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