Abio e siri

Mente aberta, estômago sensível, poupo-me de participar de redes sociais propícias à disseminação do ódio e ampla divulgação da mentira. Contenho-me no uso do e-mail e do whatsapp, meios através dos quais mantenho intensa correspondência com os que me dão o prazer do uso decente e civilizado da tecnologia. Supro, assim, a inevitável necessidade de permanecer no meu exercício de eterno aprendiz e na compreensível obrigação de manter-me informado. Sem isso, como levar adiante o blog editado sob minha responsabilidade? Como, nele, inserir textos em prosa, poesia, imagem produzidos por terceiros? Pois é.

Iniciei dizendo ter mente aberta, menos para mostrar-me o mais democrático ou generoso dos cidadãos, mas pela oportunidade de enriquecer meus julgamentos e fugir ao fanatismo em moda. Por isso, www.nagavea.com.br inclui uma seção (nem sei se é este mesmo o nome tecnicamente adequado) chamada Espaço Aberto. Cada um dos que me dão a alegria de juntar-se à viagem sugerida tem seu nome e sua foto registrados em outra seção (Tripulação). E seguimos a sugestiva viagem.

A segunda referência do início deste texto está diretamente ligada a certas restrições – chamemos assim – metabólicas, ou orgânicas, não sei ao certo. Não alimentando ódio aos que de mim divergem, também não consigo deles ter pena. Este, creio sentimento próprio aos que se julgam superiores aos pobres coitados – para aqueles, todos os demais seres humanos. De preferência os que fogem aos preconceitos e dogmas cultivados e exaltados. Minha resposta orgânica, habitual, é a sensação de nojo. Daí para o vômito, um quase nada...

Explico assim minha distância das redes que chamo antissociais. Isso não significa permanente alheamento em relação a elas. Vez por outra, pessoas das minhas relações exibem-me mensagens ou enviam-me manifestações recebidas de terceiros. Ajudam-me, portanto, a aprender cada dia mais. Sobre o mundo, as coisas e gentes que o habitam. A partir desse ponto, aproveito para colher matéria a ser postada, comentando-a segundo meu entendimento.

Dessa curiosidade pessoalmente contida, mas satisfatoriamente e com satisfação suprida por (se não exagero) minhas fontes, posso formular juízos ensejadores da maioria dos textos postados, especialmente nas seções (mais uma vez, desculpem se fujo ao jargão profissional) Camarote; Arpoadas; Na Onda; PanPoética Demia.

Agora, por exemplo, venho constatando certas condutas explicadas talvez pela ingenuidade ou ignorância, uma a uma ou em conjunto, de muitos dos participantes das redes antissociais. Busco a razão de certo mutismo ou desvio quanto ao teor das mensagens fartamente disseminadas, não faz muito tempo. O silêncio talvez possa ser atribuído a uma ocorrência da natureza, mas quase nada sei dos períodos de florescimento e frutificação dos vegetais. Quanto à vida dos crustáceos, sei menos ainda. Só os especialistas das áreas respectivas poderiam orientar-me, eis que não peço a um médico o projeto de uma casa, nem a um advogado a prescrição de um remédio para covid-19. Não descarto, todavia, haver muito de perversidade no entremeio das mensagens divulgadoras de mentiras. Desonestidade, também. Os primeiros, ingênuos ou ignorantes, têm como recuperar o sentido humano de suas vidas. Minhas esperanças, em relação aos outros, são escassas. De antemão, peço-lhes desculpas se um dia minhas vísceras derramarem líquido putrefato sobre suas roupas.

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