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A ZFM e a reforma tributária - 2

A negativa ao estudo e pesquisa sobre a realidade amazônica, amazonense e da capital do Estado foi mencionada no texto anterior, à guisa de colocar na mesa uma das razões por que, seis décadas após criada, a Zona Franca de Manaus enfrenta percalços. Percalços cada dia mais graves, eis que o processo de globalização revela-se cada dia mais ameaçador. A China não nos deixa mentir, em especial depois que abandonou os cânones do comunismo tão combatido e passou a adotar modelo econômico que a caracteriza como uma forma diferente do capitalismo. Alguns chamam a isso capitalismo de estado. Aqui se há de indagar das razões para alterar o nome da experiência de política econômica criada em 1966, pelo Decreto-Lei nº 200. O PIM- Polo Industrial de Manaus, vencidas as primeiras etapas da implantação da zona franca, justificaria seu novo nome, se ocorresse a expansão das atividades econômicas, seja pela incorporação de iniciativas voltadas à produção de bens de mais variados setores, seja pelo estabelecimento de cadeias produtivas consistentes. Não é o que se viu. Ao mesmo tempo em que algumas das atividades anteriores se foram extinguindo, aumentou a dependência de nossa economia à presença de uns poucos setores. Algum deles, ainda assim, infensos à avaliação que leve em conta os impactos sobre a população da capital amazonense. Sem imaginar que só a produção e o crescimento exponencial da indústria de motocicletas ainda deve comparação com os reflexos que determina na sociedade, cabe estranhar a euforia com que são recebidos os resultados desse setor produtivo. Os números da violência no trânsito e o inevitável impacto sobre as despesas públicas com saúde talvez valessem a pena levar em consideração. Nem se fale do número dos que encontram a morte, para não dar ares de tragédia ao que de fato é trágico. Bastaria mencionar as sequelas dos acidentes, para sentir alguma espécie de constrangimento. Também não se conhece qualquer número que seja capaz de deixar evidenciado o investimento de parte substancial dos lucros auferidos, graças ao suor dos amazonenses na própria cidade de Manaus e, como quis certo governador e não o conseguiu, no interior do Estado. Refiro-me ao professor José Lindoso, caído em desgraça diante das elites locais somadas às adventícias. Nem seu sucessor Lindoso conseguiu eleger (e meu voto não concorreria para isso), simplesmente por mostrar-se inclinado a levar os anunciados e supostos benefícios gerais da ZFM para o interior do Amazonas. Disso quase ninguém mais lembra. Talvez muitos achem até inconveniente isso ser lembrado por alguém. O assunto não se exaure aqui. Outros pontos serão abordados em textos posteriores.

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