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A vontade e a opção

Nestes tempos de tecnologia em franca expansão, rompem-se fronteiras e a sensação é que se caminha para o reconhecimento da Terra como a casa comum. A fábula do movimento da asa da borboleta produzindo efeitos à distância de milhares de quilômetros pode ser, pelo menos, objeto de profunda reflexão. Vai-se consumando a ideia defendida por Marshall Mac-Luhan, de que o Planeta, qualquer que seja sua dimensão, não passa de uma aldeia global. Queiramos ou não, todos somos vizinhos. Ou, para dizer o que se vai firmando cada dia mais na mente das pessoas razoavelmente informadas e bem-intencionadas, urge entender o Mundo e as gentes que o povoam. Não houvesse qualquer outra razão, porque somos todos, não importam a latitude e a longitude onde estivermos, passageiros de uma nave chamada Terra, uma grande nau em que cada um de nós está acomodado . Outros se pretendem tripulantes, capazes de dar rumo à nau que parece à deriva, infinito afora. Há, também os que sequer se percebem como integrantes de um mesmo espaço e igualmente responsáveis pelo destino comum. Faltasse mais o que colocar no cenário, basta observar o que se passa nos ambientes físico e social. No primeiro, a crise climática ameaça a sobrevivência de espécies animais, tanto quanto a manutenção de ecossistemas variados. Do ponto de vista social, até agora foram frustrados todos os esforços por levar as populações à vida digna que nossos ancestrais prometeram. Pior, quanto mais avançam a Ciência e a tecnologia, maior o sofrimento físico e moral dos terráqueos. Frequente e característico de nossa época, mais avançam o conhecimento e as técnicas por ele inspiradas e produzidas no cotidiano, mais profunda se torna a desigualdade. Há, portanto, um deficit ético, moral e humano que parece anunciar o fim do descendente dos primatas, substituídos por construções insensíveis, de que trata a disciplina chamada robótica. A nem todos é permitido ver quanto a sociedade é fruto da vontade dos societários. Sequer é maioria a quantidade dos que, habitando o Planeta e aturdidos pela sordidez das relações interpessoais, percebem o processo social e o destino a que ele nos trouxe. Menos, ainda, os que se dispõem a alterar a trágica situação em que nos encontramos todos, tripulantes da mesma nau. Ignoramos alguns, outros fingem ignorar que a desigualdade não é fenômeno natural, porque resulta da vontade humana, tendo a vontade na Política o espaço onde é explicitada. Cumpre, portanto, aos que os livros sagrados chamam homens (e mulheres, acrescento) de boa vontade, escolher entre superar de vez a desigualdade ou, ao contrário, fazê-la mais profunda e excludente. Levando ao aprofundamento da crise e, ao fim e ao cabo, à extinção do próprio Planeta.

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