A tentação permanente

Otimista incorrigível, agrada-me a discussão estabelecida em torno do vídeo A primeira tentação de Cristo. Posso (não devo) discordar do conteúdo, da forma e do meio utilizado para divulgar o trabalho do Porta dos Fundos. Concordemos ou não com o pensamento dos autores do vídeo, o fato é que a repercussão por ele alcançada mostra a possibilidade de discussão séria e esclarecedora, qualquer o assunto pautado. O máximo que encontrei, na discordância, foi contradição facilmente compreensível. Não a que pede seja a matéria excluída da programação da Netflix, o que praticamente tornaria o vídeo inexistente. Neste ponto, apenas reafirmo conceito emitido em relação a outro campo. Tenho dito: conhecimento que não é divulgado equivale à ignorância.

Outra contradição reside em considerar a figura de Jesus uma figura histórica, com vida real como a de qualquer homem, ao mesmo tempo em que exige considerá-lo imune a qualquer vício ou erro. Também aqui, lembro-me do que sempre digo: reconheço-me humano menos pelos eventuais acertos e virtudes que pelos erros cometidos.

Afinal, tiro uma lição do episódio envolvendo o Porta dos Fundos: discutir civilizadamente jamais será um pecado. Fugir ao debate, esconder-se no anonimato ou usar de métodos e expedientes autoritários, principalmente destituídos de razões plausíveis. sempre será indesejável. Essa, porém, tem sido a primeira e permanente tentação de muitos dos fanáticos, dogmáticos e desarrazoados.

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