A SAÍDA É SEGUIR E FAZER O CAMINHO

Com justa razão o jovem missionário belga Eduardo Hoornaert, 90, que vive no Brasil desde 1958, escreveu o livro O movimento de Jesus. Se Jesus tivesse fundado alguma igreja, ela não poderia ter outro nome senão MOVIMENTO, CAMINHO, MISSÃO. O próprio Jesus de Nazaré se define como CAMINHO (saída, porta). Missa não pode se reduzir a rito, repetição mecânica de fórmulas litúrgicas. Quem usa do nome cristão, seja qual for a denominação, mas não segue o CAMINHO aberto por Jesus de Nazaré, se fecha ao devir, ao movimento por ele iniciado. Escolheu (sartreanamente falando) petrificar-se numa fé ritualizada e se tornou preso nas grades de uma religião. Religião imobiliza, enquadra. Evangelho é movimento, liberta. Quando Jesus entrou numa sinagoga, como ocorreu naquele sábado em sua pequena e mal afamada Nazaré, foi para se contrapor ao que os falsos guardiões da fé haviam feito da Palavra de Deus. Haviam transformado a Palavra num peso insuportável para o povo. Jesus os confronta. E atutude reativa dos homens ditos da fé e do bem foi imediata. Tão logo Jesus concluiu a leitura do texto do Profeta Isaías, como encontramos em Lucas 4, os fanáticos religiosos "encheram-se todos de cólera. Levantaram-se e lançaram-no fora da cidade e conduziram-no até o alto do monte sobre o qual estava construída a cidade, e queriam precipitá-lo dali abaixo". Foi expulso da sinagoga e da cidade em que cresceu no meio de sua parentada. O que fizera Jesus de Nazaré? Leu de forma pública, na sinagoga, o texto programático de sua missão. O Padre Lino Allegri, 82, num recente e triste episódio de fanatismo e intolerância religiosa de que foi vítima, apenas fez a ponte evangélica entre a sinagoga de Nazaré da Galileia e a igreja da Paz em Fortaleza.

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José Alcimar, teólogo sem cátedra, em Manaus, AM, 25 de julho de 2021.

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