A resistência da arte

O poeta Tiago de Mello não terá sido o primeiro, mas ninguém como ele soube da oportunidade de cantar, quanto mais insistente a escuridão. Vandré propôs falar e cantar as flores, quando projéteis e seus detentores tinham os olhos irados postos na direção de suas futuras vítimas. Mais que a luta entre o bem e o mal, a cena repete-se hoje, quando seres humanos confrontam monstros só na aparência a eles assemelhados. É preciso, portanto, inventar formas de resistir, para que a barbárie de vez nos abandone. É assim que vejo a iniciativa do Conselho Municipal de Cultura (Concultura) e da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult) ao lançar o catálogo Meu Povo: 1a. Mostra de Arte Indígena de Manaus, na quarta-feira, 15/12, às 16h, no Palácio Rio Branco, s/n, av. Sete de Setembro. O catálogo é um registro da produção artística dos indígenas de Manaus. Em formato de livreto, constrói-se como um testemunho histórico-fotográfico, enriquecido com a apresentação dos artistas e suas obras, que fizeram parte da exposição. Certamente, manifestações anteriores, como as exibidas pelo MUSA, CAUA e Galeria do Largo constarão do catálogo, uma forma de resistir oportuna e contundente, como enfrentamento a outros tipos de enfermidade social, como as de que o povo brasileiro hoje é vítima.



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