A prática, segundo Teori

Tem-me frequentado a memória, nestes tristes dias, certa frase dita pelo então Ministro do STF, Teoria Zavaski. Relator do fantasioso e ilegal processo originado pela Operação Lava Jato, o magistrado morreu aos 68 anos, quando as invencionices e arbitrariedades praticadas pelo conluio Moro/Dalagnol e colegas iam a meio. Em certo momento, o relator mostrou-se aparvalhado, diante do que ia encontrando, cada peça ou denúncia que eram postas sob sua apreciação. Por isso, sentiu-se estimulado a afirmar que a cada pena encontrada nos autos surgia não outra pena, pois vinha uma galinha inteira atrás. Morto em acidente de aviação, Teori perdeu a oportunidade de testemunhar o triste destino de uma operação pautada por tudo, menos pelo espírito de justiça exigido, ou pela busca da verdade. A prática revelou-se mais tarde talvez até mais nociva que as ofensas às leis com que Moro influenciou as eleições de 2018, da qual resultou ganhar o Ministério da Justiça. As pernas da verdade sendo sempre mais longas que as da mentira revelaram a que serviam o ódio e a ambição dos justiceiros togados. Até chegar-se ao ponto em que hoje estamos. Tudo levando a crer que os responsáveis pelas ações denunciadas por Moro e sua caterva - verídicas ou inventadas - pareçam obra de amadores. Estivesse ainda vivo, talvez Teoria Zavaski encontrasse, a cada nova pena puxada dos autos, não um frango, mas avestruzes vorazes, dos quais se diz dotados de estômago capaz de consumir o que não consumiria toda uma granja. Para Teori, portanto, a prática não seria outra. Naquele momento, ainda não havia sido condenado o "japonês da Federal", hoje não mais que uma figura folclórica. E lamentável.

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