A POESIA NO PARÁ


Orlando SAMPAIO SILVA

Esta é uma relação ou uma listagem parcial de poetas que, se não são todos nascidos no Pará, todos têm pertencimentos de várias ordens com o Estado nortista.

Vamos a eles:

- AUGUSTO MEIRA (1873-1964): riograndense do norte radicado no Pará, onde viveu na plenitude das diversas áreas de sua existência. Advogado, professor, político. Poeta. Pai de gente importante. Família Meira do Pará, a irmandade: Octávio, Celso, Clovis, Augusto, Sílvio, Ruy e (que a senhora me desculpe) a esposa de Orlando Bitar. Augusto, pai, e seus filhos Octávio, Celso, Clovis e Sílvio foram todos professores catedráticos da Fac. de Direito (UFPA). Também, o genro Orlando Bitar (que, além de catedrático de Direito Constitucional, era poliglota e latinista).

José Augusto Meira Dantas (Augusto Meira) foi diretor da Faculdade de Direito e senador da república pelo Pará. Parlamentar nacionalista.

Autor de “Brasileis – Epopeia Nacional Brasileira”, em 14 cantos, Ed. Pongetti, Rio de Janeiro, 1958.

- CARLOS ALBERTO NUNES (1897-1990), maranhense. Médico, e, como tal, trabalhou na construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, no Acre; em seguida se transferiu para São Paulo, onde viveu o resto da sua vida. Era tio de Benedito Nunes, nosso filósofo e crítico de arte maior no Pará. Grande amigo de seu sobrinho, sobre quem exerceu grande influência intelectual e na sua formação filosófica e literária; era também amigo de F. Paulo Mendes. Este último visitava seu amigo todos os anos em São Paulo. Carlos Alberto Nunes foi poeta e tradutor.

Autor de “Os Brasileidas”, epopeia, Ed. Melhoramentos, São Paulo, 1962.

Traduziu: ”Ilíada” e “Odisseia”, de Homero (do grego clássico); “Eneida”, de Vergílio (do latim); todas as obras filosóficas do Platão (do grego); todas as obras do teatro de Shakespeare (do inglês); e, “Clavigo” e “Stella”, ambas de Goethe (tradução do alemão). Estas traduções dessas obras para o português são consideradas pela crítica e pela academia como as melhores existentes em língua portuguesa.

- SÍLVIO MEIRA (1919-1995). Paraense. Advogado. Foi deputado estadual e líder de sua bancada. Professor catedrático de Direito Romano da Fac. de Direito da UFPA. Jurista, historiador, romancista, poeta, romanista, poliglota e tradutor.

Sílvio Augusto de Bastos Meira, muito jovem, publicou: “A Conquista do Amazonas” (sobre a ação de Pedro Teixeira na conquista da Região Amazônica), história; “Os Náufragos do Carnapijó” (trilogia), romance. Também é autor de: “Estudos Camonianos e Goethianos” (1989), teoria literária.

Na área do Direito Romano: “Curso de Direito Romano” (livro adotado em muitas Fac. de Direito do país); “Direito Tributário Romano” (2013); “Instituições de Direito Romano” (2018); “Direito Vivo” (1984). Pesquisou o direito romano na Itália.

Traduções: “Guilherme Tell”, de Schüller; “Fausto”, de Goethe, estas duas obras, do alemão, sendo a do “Fausto” considerada, pela academia e pela crítica, como a melhor tradução desta obra para a língua portuguesa.

- MACHADO COELHO (1909-2013). Paraense. Professor, poeta, tradutor e incentivador cultural. Reunia em sua casa, como em um “salão”, parte da intelectualidade mais representativa do Estado. Traduziu Verlaine do francês para o português.

Obras: “O Feitiço na Literatura, na Arte e na Vida” (prosa), 1963; “Sapos e Estrelas”, 2005; “Minhas Canções de Verlaine” (tradução), 1951.

- PAULO PLÍNIO ABREU (1921-1959). Nasceu no Pará. Bacharel em Direito. Foi professor de Literatura da UFPA. Bibliotecário. Tradutor. Poeta.

Autor de “Poesia” (1ª ed. 1978; 2ª ed., UFPA, 2008, Belém).

Traduziu: “Poesia”, de Rilke (do alemão). Também foi tradutor de “La Porte Étroite” de Gide (do francês) e, de poesias de T. S. Elliot (do inglês).

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