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A pauta é outra


À falta, não digo de plano de governo, de ideias sequer sobre como resolver os mais graves problemas nacionais, o endeusador do Posto Ypiranga orienta sua campanha com base nos valores anti-cristãos e truculentos que professa e obedece, não é de hoje. Vindo da parte dele e de seus apoiadores, nada surpreende, nada decepciona. Afinal, ninguém dá o que não tem. Custa crer, porém, que do outro lado os apoiadores de Luís Inácio Lula da Silva se deixem pautar e medir pela mesma régua. Em especial, se considerarmos a relação dos seus mais recentes companheiros, de cujas ideias se pode divergir. Nunca, todavia, assemelhar às dos que acompanham o candidato à reeleição por ele mesmo condenada. Ao rol de mentiras e invencionices engendrados na tentativa de reduzir os mais de 5 milhões de votos que o separam do favorito, o Presidente da República vem se utilizando de informações mais uma vez distantes anos-luz da verdade. Quando busca o resultado das urnas instaladas nas penitenciárias no primeiro turno, faz esforço vão, denotador apenas do absoluto desprezo pela realidade. Pior, ainda, por se tratar de autoridade pública de algum modo responsável – se não direta, pelo menos indiretamente – pela administração do sistema prisional do País. Talvez ele não saiba, nem seu Posto Ypiranga, o mais importante terceirizado, que a população carcerária alcança mais de 900 mil acusados da prática delinquente, perto de 50% dos quais em prisão provisória. Isto quer dizer, sem que os respectivos processos tenham sido finalmente julgados. Por isso é que sua condição é provisória. Portanto, não se trata de condenados, pelo menos por enquanto. Essa dificuldade de submeter-se às normas legais e obedecer a Constituição transparece de imediato. Aqui, no entanto, estamos diante de uma questão formal. Relaciona-se ela ao rito judiciário, que mantém sub judice todo aquele sobre o qual não há decisão irrecorrível. Coisa julgada, dizemos os que tivemos a felicidade de frequentar um curso de Direito. E aprendemos alguma coisa. Há, ademais, uma questão de substância, sobretudo se compararmos o que aos adversários de Lula parece pecaminoso. A maioria de votos ser dada pelos pouco mais de 12 mil eleitores presos ao opositor do Presidente da República apenas corresponde a uma enfática amostra da população em geral. Mais de 64% dos encarcerados fazem parte da população mais pobre, majoritariamente composta de pretos e pardos e com escassa escolaridade. Esses números, se observarmos as pesquisas de intenção de voto, apenas ratificam o discurso e as perspectivas a que são mais aderentes os que permanecem atrás das grades. Receber o voto de cada um deles, portanto, é café pequeno. Talvez até tenha muito de meritório. A comparação entre os dois candidatos coloca uma questão de que cada eleitor se deve ocupar, mesmo se não busca vida marginal que o ponha sob o risco de um dia ser levado para trás das grades: de quem é o pecado maior - do que recebe votos da maioria dos pobres que superlotam os presídios, ou dos que homenageiam, perdoam, favorecem e protegem notórios infratores – da Lei Penal, tanto quanto da Constituição Federal e dos mais nobres sentimentos da família brasileira? Melhor seria dizer, da Humanidade. Equivoca-se a campanha de Lula, se se deixa levar por essa pauta orientada pelo ódio e recheada da ignorância e da truculência de que a sociedade brasileira dá sinais de exaustão.


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