A panaceia e suas consequências

O Chile enfrenta uma das mais graves crises políticas e sociais. Atingida pelo neoliberalismo que ameaça outras partes do Planeta, aquela nação amarga os resultados de política econômica baseada na ignorância das pessoas, esta expressão podendo ser entendida nos dois sentidos: o da indiferença dos governantes em relação ao sofrimento do povo e a falta de conhecimento pelos que formulam as regras do jogo econômico. Óbvio que essa segunda circunstância pode estar até sendo generosa. Ninguém nos garante - menos ainda os formuladores - que é ocasional ou constitui erro a direção em que rumam os países. O Chile como tantos outros ao redor do Mundo.

A ditadura de Pinochet era saudada como ainda hoje há os que saúdam a ditadura brasileira. Ambos os países teriam logrado o que se chamou milagre econômico. Caladas as vozes dissonantes, assassinados os críticos, torturados os incômodos projetos de oposição e imposta a lei da força, não apenas se produziu o silêncio e a obediência. Mais que isso, geraram-se focos de corrupção que só os regimes fechados são capazes de criar e manter. Em que pesem as legítimas aspirações das respectivas sociedades.

Não se estranhe, portanto, o destino a que se chegou, pelo menos no Brasil: onde quer que nosso olhar alcance, serão encontrados fartos exemplos da mais vergonhosa corrupção. E, quando se alega empenho em combatê-la, o que encontramos é corrupção ainda maior, porque ofensiva ao mínimo exigível de qualquer nação moderna: o respeito à Constituição e o zelo pelo Estado de Direito. Soma-se à corrupção - chamemos assim - tradicional -, o amesquinhamento das normas constitucionais e a marginalidade em cada ato dos pretensos inimigos da corrupção.

Não obstante, repetem-se receitas comprovadamente incapazes de resolver os mais angustiantes problemas sociais. As tentativas frustradas feitas em outros países é transportada para cá, com a curiosidade de que o capataz que a operou no Chile - para continuar a comparação - é o mesmo ao qual se entregou o Ministério da Economia do Brasil.

Por que o que deu causa à mobilização de ponderável parcela dos chilenos e a repressão das armas contra o povo de lá daria certo aqui?

As panaceias raramente dão certo. A não ser para reduzido número de pessoas e famílias. Utilizar-se delas, quando o cenário escancara as consequências nocivas - não haverá crime maior


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