A palavra como arma

As ditaduras sabem do poder de fogo das palavras. Escritas ou ditas, quando erguem argumentos, são capazes de queimar mais que um projétil de chumbo. Não eliminam a vida de ninguém, mas eternizam e fortalecem ideias e esperanças de muitos. Disso sabia Washington Novaes, jornalista nascido em São Paulo, morto na segunda-feira em Goiânia, onde morava. Mesmo não gostando de ser chamado ambientalista, é um dos profissionais a quem mais se deve a defesa do ambiente no Brasil. Tanto, que André Trigueiro, conhecido jornalista e ambientalista, diz ter sido por ele influenciado. Sempre é lembrada entrevista que Novaes deu ao programa Roda Viva, da TV-Cultura, quando indagado por Blairo Maggi. Perguntado se todos (os brancos) deveríamos viver como índios, Novaes respondeu: claro que não! Não teríamos competência para isso.

O jornalista passou pelos maiores jornais do País, ganhou o Prêmio Esso com uma série de artigos sobre a ECO-92, publicou os livros A quem pertence a informação (Editora Vozes); A Terra pede água (Sematec/BSB); A década do impasse (Estação Liberdade) e Xingu (Brasiliense). Washington Novaes também produziu documentários,em 1985 (Xingu, a Terra Mágica); 2007 (Xingu, a Terra Ameaçada). Em 1982, seu documentário Amazônia, Pátria da Água ganhou medalha de prata, no festival de cinema de Nova Iorque. Além dos que admiravam o trabalho meritório do jornalista morto, ficam órfãos quatro filhos que deram ao profissional digno e competente, por isso respeitado, sete netos.

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