A ORDEM MUNDIAL CONTINUA DESIGUAL E OPRESSIVA, MAS GANHAMOS UMA BATALHA IMPORTANTE CONTRA O ATRASO

Política internacional é um tema difícil, dada à sua complexidade que envolve diplomacia, economia e interesses diversos. Para começar a compreender a questão é preciso entender como o mundo se organiza e qual sua ordem.

A vitória do democrata Joe Biden nos Estados Unidos não muda a ordem mundial. Isto é óbvio. Aquilo que chamamos de Divisão Internacional do Trabalho (DIT) continuará a mesma, com as economias dominantes oprimindo e explorando os chamados países emergentes. O sistema financeiro continuará dando as ordens e aumentando seu capital. Os EUA continuarão como a maior economia do mundo, fazendo guerra de dominação.

O que muda, então?

Ora, há muita diferença política entre Democratas e Conservadores no país do Tio Sam. Enquanto Democratas defendem maior intervenção do Estado na economia, Conservadores jogam com o deus-mercado. No que se refere a impostos, Democratas querem taxação maior para quem ganha mais, já seus adversários, um imposto único. Conservadores se opõem a um salário mínimo, defendendo que o mercado determine seu valor, ponto divergente, também, com os Democratas.

Na saúde, o partido de Biden defende a saúde universal, com serviços oferecidos pelo Estado. Já os Conservadores apontam o deus-mercado como proprietário do sistema.

Como estamos vendo nestes poucos exemplos, há grandes diferenças políticas e programáticas. A receita conservadora é a de um mercado voraz, com sua doutrina neoliberal. Sua derrota é a derrota de um modelo econômico no mundo, que gera exclusão social e mais miséria.

Não por acaso encontramos semelhanças entre Trump, Bolsonaro e toda horda neoliberal no mundo, que seguem os ditames do capital financeiro. Aqui no Brasil, no início da pandemia, o destemperado presidente disponibilizou 1,3 trilhão de reais para os bancos e anunciou 200 reais de auxílio emergencial ao povo. É assim a economia internacional do neoliberalismo.

Não podia concluir sem lembrar a diferença que há entre Democratas e Conservadores na política ambiental e no tamanho do orçamento militar. Estes dois pontos reverberam em todos países e têm forte impacto nas relações internacionais, além de colocar na pauta o futuro do planeta.

Há sim o que comemorar. A derrota de Trump fortalece nossa luta contra o massacre que Bolsonaro impõe contra o povo brasileiro.

Lúcio Carril

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