A nova política

Admita-se o voto em alguém absolutamente despreparado para exercer o cargo a que aspira. Afinal, a todos deve ser dada a oportunidade de buscar o que lhe pareça melhor, até mesmo do ponto de vista meramente individual. Neste caso, o exercício do voto segundo critérios ditados pelo mais ferrenho egoísmo pode ser tolerado, em nome do aprendizado. Muitos dos eleitores foram tangidos pela ignorância; outros, por desespero transformado em ressentimento e ódio. Nada menos que a vingança dirigida aos que não quiseram ou não puderam atender aos interesses particulares que cada um traz consigo. Muito das situações descritas acima têm a ver com a sucessiva queda do apoio ao atual Presidente da República. Porque, além de milicianos tratados como personalidades respeitáveis, marginais de todo tipo destinatários dos acenos do poder, mal-intencionados cidadãos (?) à espreita da abertura dos cofres e prebendas, pessoas bem-intencionadas também concorreram para a construção do cenário. Neste, o crescente desemprego, a ameaça da inflação que se tem dito prejudicial aos mais pobres, a fome grassando, tudo compondo a moldura em que se insere a pandemia, a forma de participarmos de uma espécie particular de holocausto. Já nem se fale do desprestígio de que desfrutamos (?) na comunidade internacional. Triste e trágico desfrute! Como os portadores do mal de Hansen, no passado, somos hoje tidos como indesejáveis, evitados e desdenhados, como se nossa vocação nacional nos condenasse à situação de párias. Compreendam-se, portanto, os desertores da primeira e da última hora. Tornam-se incompreensíveis, no entanto, a insistência fanatizada, a cumplicidade criminosa e a ignorância cultivada. as promessas de campanha, ilusórias como se sabe, não precisam ser cumpridas, porque o fanatismo responde pela fidelidade ao líder. Nem importa constatar quão irreal é a liderança alardeada. Ao contrário, é dada preferência à disseminação de mentiras que, grafadas em inglês - fake-news - parecem perder o caráter criminoso de que se revestem. Quanto à ignorância, ela é própria dos que, fiéis à sentença de que mais cego não é o que assim nasce ou que, por algum fato involuntário deixou de ver, não enxergam o que à maioria incomoda. Não se descartem, porém, os que ganham a cada trabalhador desempregado, a cada morto levado pela covid-19. Eles os há, e não se pense que são raros. a crônica dos nossos dias o diz, em números aterradores. É esta, então, a nova política que enganou os trouxas? Ou menos que trouxas, eram apenas mal-intencionados e movidos por perversos sentimentos? Vá-se descobrir!