A fraqueza dos "fortes"

Infelizes os que precisam suprir suas próprias carências com instrumentos de que a natureza os privou. Isso não significa enveredar pelo ludismo anacrônico, que o imortal Tempos modernos, de Charles Chaplin tão bem pintou. Pelo bom uso da inteligência humana aproximamo-nos da aldeia global prevista por Marshall Mc-Luhan, alcançamos outros planetas sem precisarmos pôr os pés tão longe, aumentamos a riqueza do mundo e produzimos o suficiente para fazer da Terra um lugar de abastança e bem-estar. Pelo mau uso, às vezes pelo desuso da inteligência, frustramos tal objetivo. Nem sempre por equívoco ou erro acidental, mas por motivação malsã, obediente a valores e interesses que frequentam a cabeça dos ditos seres humanos. Para isso, entregamo-nos à construção de uma sociedade crente na apropriação individual dos bens postos pela natureza à disposição e ao desfrute de todos os seres vivos – inteligentes ou não. Vem dessa concepção perversa e da visão de mundo que a ela corresponde, o descaso relativo ao ambiente, o desprezo e a exclusão de crescentes parcelas da população e os privilégios que criam os donos de tudo, e do Mundo. Para conservar tudo conforme esse pensamento e esses fundamentos, inventam-se armas. A elas, em todo caso instrumentos da violência e da morte, é delegado o papel que à inteligência humana deveria ser reservado. Onde falta argumento, onde é impossível encontrar razão minimamente defensável, lá sempre haverá uma arma. Fazendo do fraco um Hércules. Do covarde, um herói. Do homem, uma fera!

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