A força do exemplo

A banalização do mal e a admissão da violência como fato corriqueiro, inevitável, pode ir - e em geral vai - muito mais longe do que pensam certas pessoas. Não as pessoas certas. Nunca é demais lembrar episódio assaz divulgado, revelador dos riscos de a tolerância a atos danosos à convivência democrática acabarem por fragilizar a democracia. E, no limite, matá-la. É a história que conta de alguns soldados alemães, retirando flores do jardim de uma casa da Polônia ocupada. As filhas dos donos da casa queixaram-se aos pais. Por medo ou covardia apenas, os pais aconselharam-nas a silenciar. Dias depois, era arrancada a própria roseira. Novamente a queixa das filhas; repetiu-se a recusa dos donos da casa. Não tardou a que os soldados levassem e estuprassem as jovens. Aí, pai e mãe das vítimas foram à autoridade maior da invasão. "Nada podemos fazer, desculpe. Se a reclamação fosse feita no primeiro momento, teríamos o que fazer". Foi a resposta.

Quando o exemplo vem não propriamente de pessoas destituídas de poder institucional, a ameaça já é grave. Imagine-se quando ela é estimulada por pessoas que exercem funções importantes no governo do País!

É oportuno mencionar que o juiz da 1ª Vara Criminal de Itajaí, Augusto César Aguiar, acaba de absolver Favbiano Schmitz e Kaleb Frutuoso (ler em Na onda, neste blog), um dos quais tem tatuada a marca da Division Wiking. Nada menos que uma divisáo militar criada na Alemanha, durante a Segunda Guerra.O processo esperava decisão faz 5 anos.

O que e por que esperar?


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