A dialética do aprender

Eu ainda era um menino quando li Pedagogia do Oprimido e Educação Como Prática da Liberdade, do grande mestre Paulo Freire. A partir daí comecei a compreender que não basta ser professor, é necessário ter compromisso com a transformação da sociedade.

O professor pode construir e desconstruir e isso deve orientar sua conduta; assim, torna-se um agente da luta dos contrários e assume sua verve transformadora.

O professor não é e não deve ser um doutrinador, nem uma peça inerte, deve provocar o debate e a reflexão, aprofundando o espírito democrático do grupo e da sociedade.

O projeto não é de reprodução, mas de criação e transformação.

O professor não ensina, ele aprende todo dia, como a vida e a esperança, estas loucas que gritam e esperneiam sem saber onde é a saída.

Com Paulo Freire conheci a letra e o tijolo. Reconheci as coisas da vida e o tamanho do amor para olhar, abraçar e até escrever. Foi nessa fonte de conhecimento e ternura que bebi e me fiz melhor.

Escrevo isto como repúdio a uma nota do MPF em Goiás, e aceita pelo MEC, que faz recomendações fascistas no sentido de tolher a liberdade pedagógica. Mais um atentado contra a educação e contra a democracia.


Lúcio Carril

Sociólogo

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