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A decisão


Em recente artigo, Pablo Ortellado compara o candidato à reeleição que condenou e prometeu eliminar do calendário político (e não o fez), e seu mais forte opositor, o ex-Presidente Luís Inácio Lula da Silva. O jornalista centra sua análise, suspeito, na entrevista que os concorrentes deram ao Jornal Nacional, da Globo. Busca, oportunamente, contrapor as promessas desta vez feita por ambos e as bases em que elas se assentam. Óbvio que, para não ser injusto, acaba falando mais de Lula que do outro. A tática da agulha rombuda sobre o disco de vinil repousado no prato da eletrola (lembram-se?), o máximo de que o ex-capitão excluído das forças é capaz, ocupa menos tempo para ser analisada. Destacam-se, por isso, os comentários do ex-Presidente a respeito do que podem os brasileiros esperar, se de novo ele subir a rampa do Planalto. Pode-se identificar, no texto ora comentado, o dilema pessoal em que se encontra o próprio articulista. O tom dado por ele à análise comparativa é o mesmo que, já a esta altura da campanha eleitoral, alimenta a dúvida de ainda boa parte dos eleitores. Talvez valha a pena advertir o articulista a respeito do cerne do problema ora enfrentado pelos brasileiros. Comparar os feitos de um e outro, como resultado da passagem pela principal cadeira do Palácio do Planalto perde todo o sentido. Simplesmente porque a trágica realidade impõe reconhecê-la em seus mais evidentes contornos. Dizem-no as grandes e médias (às vezes, até as pequenas) cidades brasileiras e suas esquinas, onde se concentra número crescente de moradores ou esmoleres. Muitos deles, ostentando cartazes que denunciam a fome. Esta, como se sabe, responsável pela reinclusão do Brasil em mapa elaborado por organismos internacionais oficiais, pondo-nos em situação de vergonhoso constrangimento. Outro diz respeito à já comprovada aliança entre o vírus-19 e o (des)governo federal, levando do nosso convívio percentual de brasileiros proporcionalmente maior que todos os demais países do Mundo. Tudo isso – o recrudescimento da fome que um dos candidatos conseguiu reduzir em boa proporção e a recusa em poupar a vida de multidão dos incluídos dentre as vítimas da pandemia – foi devidamente apurado e está expresso em números. Alguns, de órgãos oficiais brasileiros, mesmo. Sobre os crimes imputados a Lula, sem qualquer temor podemos dizê-los menos graves, se provados, quanto os que devem (deverão, é melhor dizer e esperar) ser atribuídos ao opositor, e apurados, pós-1 de janeiro de 2023. Com alguns agravantes, que simples consulta ao que os policiais chamam folha corrida será capaz de descrever. Quase não há lei infensa à agressão dos atuais governantes, desde a recusa em pagar multa imposta por crime ambiental, até as que ofendem diretamente o Estado Democrático de Direito. Aqui, o fulcro da questão: a disputa é a mais simples possível, por isso que se torna fácil decidir em quem votar. Trata-se, no pleito de 02 de outubro próximo, de escolher entre Democracia ou ditadura, direitos humanos ou barbárie. Nesse caso, não faltarão exemplos para destacar a grande diferença entre um e outro dos principais candidatos. Indo além: é entre o ódio e o Amor que balança o discernimento dos eleitores. O que já se sabe dos dois ajuda a resolver o que parece dilema complicado, nó intrincado a desfazer.


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