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A crise de hoje

Passamos já por duas grandes guerras. As consequências de ambas têm sido objeto de muita especulação e dado razão a milhões de páginas impressas. Como tudo que sai da mente humana, o que se tem lido e ouvido nem sempre coincide com o que de fato aconteceu no que os militares chamam com muita propriedade teatro de operações. Embora não sejam raros, pouco se mostram aptos a tirar da História os exemplos que podem fazer a vida pós-guerra sempre capaz de evitar novos conflitos. Ao contrário, o holocausto e o cogumelo que cobriu o céu de Nagasaki e Hiroshima parecem não se ter prestado mais que ao elogio da guerra e à aceitação quase gozosa de tudo quanto ela produziu. No máximo, à celebração dos feitos (tristes feitos!) dos que são chamados de heróis. Talvez, quem sabe, os responsáveis pelo maior número de mortos...

Certo que não vivemos no melhor dos mundos. Igualmente real a sociedade em que vivemos, do jeito como a vimos construindo. Todos temos algum tipo de responsabilidade pelo que nos cerca. Se destruímos as florestas, se poluímos os cursos d'água, se extinguimos espécies, se apagamos a História, se exploramos cada vez mais o vigor e a saúde dos nossos semelhantes, na base do comportamento sempre estará um tipo de interesse.

Não é só a natureza, todavia, o foco de nossa ação destrutiva. Os males acumulados emergem com clareza nunca dantes experimentada, desta vez com abrangência correspondente à nossa capacidade de integrar-nos à comunidade que Mac-Luhan chamou aldeia. Inevitável, portanto, a consideração mais abrangente dos fenômenos, tanto mais quanto eles já não se contêm dentro dos limites territoriais de qualquer nação. Onde quer que ela se situe.

Tenho reservas a expressões que tentam reduzir o tempo da crise. Por isso, raros os que percebem crítico todo e qualquer momento, seja qual for o lugar de nossa observação. O fato de que sabemos identificar o momento em que o equilíbrio do sistema (qualquer sistema) está ameaçado, por si só indica vivermos sempre algum tipo de crise. Encontrar solução para o problema será o que de mais urgente há a fazer.

O Brasil de hoje exige de cada um de nós e de nós todos em conjunto, séria reflexão. Reflexão não apenas voltada para o hoje e o agora, mas a consideração do futuro que só a nós cabe construir. A crise tão proclamada não é resultado se não de nossas próprias escolhas. Nosso hoje não pode estar eternamente atado ao passado. Tanto e tamanho o futuro que temos à frente.

Nosso dilema, hoje, não há como esconder: desejamos a democracia ou, ao contrário, agradam-nos a submissão infamante, a apatia política, a cessão de nossas decisões ao arbítrio de terceiros? Incomoda-nos ter os governantes subordinados aos interesses de todos ou nos agradam os sacrifícios impostos para o gozo de ínfima minoria?

Esta a crise do momento. Se não concorrermos para que ela chegue a bom termo e menores sejam as crises que advirão, não teremos sido dignos sequer do ar que entra pelos nossos pulmões. E, no caso de alguns, mantém os neurônios funcionando.


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