A cor do vírus

Recente live promovida pela Sociedade Brasileira de Sociologia chamou a atenção para um equívoco relacionado à covid-19. Refiro-me à atribuição do qualificativo democrático à doença causada pelo novo coronavírus. Tornou-se hábito dizer da pandemia que ela atinge todos, em qualquer lugar, sem discriminação de riqueza, cor, posição social etc. Quase todos esquecem das consequências da covid-19, claramente diferenciadas, de acordo com a condição social dos que infeccionados. Coordenado pelo Presidente da SBS, Jacob Lima (UFSCar), o encontro virtual contou com a participação de Paula Barreto (UFBA) e Paulo Sérgio Neves (UFABC e UFS). Contrariando a ingênua esperança de que tudo ficará melhor pós-pandemia, a mesa foi unânime em afirmar que "a pandemia radicaliza certos aspectos da desigualdade". Dita por Paulo Neves, a frase é bem uma síntese dotada de grande simbolismo: Aqui no Brasil, até vírus tem cor". Referia-se ele à vulnerabilidade dos negros e indígenas, em relação aos outros grupos étnicos afetados pela doença.


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