Em tempos de angústia e luta tenho refletido sobre a minha vida. São reflexões provocadas pela análise da realidade e pela existência do outro que não se reconhece social e culturalmente.
Estou cada vez mais convicto da minha existência como sujeito politico e social e não escolherei outro caminho que não seja o de ficar com minha classe social.
Vejo gente perdida, com uns trocados no bolso e no banco e sem referência cultural, porque não se reconhece na sua classe de origem e não é reconhecido na sua classe pretendida. O futuro dessa gente é o etnocídio e uma completa desfiguração existencial.
Como todo trabalhador, quero uma vida melhor, mas nunca renunciarei à minha classe e à minha cultura.
A classe rica tem valores inconciliáveis com minha classe social. Ela tem seus intelectuais, seus ritos, seus grupos sociais, seus interesses. Nós, proletários, também temos os nossos.
O problema está na perspectiva de dominação dos ricos sobre os pobres, lhes impondo seus valores e levando-os ao que chamamos de alienação. Todo esse processo se dá através da ideologia dominante.
Quando conhecemos nossa realidade de forma crítica e reconhecemos nosso papel histórico, podemos avançar culturalmente como classe social e como sujeitos. É esta a nossa luta. É esta a nossa busca.
Lúcio Carril
Sociólogo
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