A CONSCIÊNCIA DE CLASSE

Lúcio Carril*


Em tempos de angústia e luta tenho refletido sobre a minha vida. São reflexões provocadas pela análise da realidade e pela existência do outro que não se reconhece social e culturalmente.

Estou cada vez mais convicto da minha existência como sujeito politico e social e não escolherei outro caminho que não seja o de ficar com minha classe social.

Vejo gente perdida, com uns trocados no bolso e no banco e sem referência cultural, porque não se reconhece na sua classe de origem e não é reconhecido na sua classe pretendida. O futuro dessa gente é o etnocídio e uma completa desfiguração existencial.

Como todo trabalhador, quero uma vida melhor, mas nunca renunciarei à minha classe e à minha cultura.

A classe rica tem valores inconciliáveis com minha classe social. Ela tem seus intelectuais, seus ritos, seus grupos sociais, seus interesses. Nós, proletários, também temos os nossos. O problema está na perspectiva de dominação dos ricos sobre os pobres, lhes impondo seus valores e levando-os ao que chamamos de alienação. Todo esse processo se dá através da ideologia dominante.

Quando conhecemos nossa realidade de forma crítica e reconhecemos nosso papel histórico, podemos avançar culturalmente como classe social e como sujeitos. É esta a nossa luta. É esta a nossa busca.


* Lúcio Carril é sociólogo, pós graduado em Gestão e Políticas Públicas pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo.

4 visualizações

Posts recentes

Ver tudo

POR UMA POLÍTICA HUMANIZANTE

Perdi muitos amigos no processo político. Talvez me tenha faltado alma, espírito ou simplesmente sensibilidade. Já não procuro o erro no outro, pois isto não me ajudaria a reconhecer minhas próprias l

Arquitetado e Produzido por WebDesk. Para mais informações acesse: wbdsk.com

Todos os Direitos Reservados | Propriedade Intelectual de José Seráfico.