A consciência da cor

Não me impressiona a disseminação do supremacismo branco nos Estados Unidos da América do Norte, nação fundada no suposto abrigo dado a um grupo de crentes nas promessas de Cristo. Ou os passageiros do Mayflower não eram assim tão apegados à fé religiosa, ou seus sucessores perderam-se no meio do caminho. Não o caminho das águas, mas o que os conduziu até os dias presentes. Impressiona-me – isto sim! – haver quem ainda acredite, e por isso se bata, que algo erguido sobre bases do mais escandaloso e perverso egoísmo possa resultar em coisas boas para os seres humanos. Convencido de que a sociedade norte-americana tem como símbolo e produto genuinamente representativo do american life way o serial-killer, não me surpreendo com negros sendo mortos, a bota do policial interrompendo o sangue de chegar-lhe ao cérebro. Do negro, se me faço entender. Porque do outro jamais chegará, por ausência ou simples deserto. Sei quanto o deus dinheiro é capaz de produzir, em bens e em males. Mais estes do que aqueles. Por isso, gostaria de saber mas não sei quantos outros Nélson Mandela, Martin Luther King, Malcolm X, George Floyd serão necessários para enxotar em direção às coxias da tragédia americana (que é também nossa, dos mexicanos, de todos os povos latinos deste pedaço do Mundo) os energúmenos e seus idólatras. Não sei se meus netos ainda estarão aqui, quando a cor da pele não for mais que uma forma escolhida pela natureza para mostrar a exuberância de sua diversidade. Sei, porém, e espero firmemente, que eles contribuam para que seus filhos e netos vivam em uma sociedade em que todos serão irmãos. E o céu que, por hipocrisia e cálculo é prometido aos submissos, seja desfrutado sob o sol e o azul que a todos nos cobre.

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