A cereja do bolo

Todo bolo tem seu melhor pedaço. Seja pelo sabor, seja por outra sensação provocada. Extrapolando a expressão para outros ambientes, vemos que as guerras, mesmo frias, têm também sua cereja. Em meados do sec. XX, pequena ilha do Caribe ocupou esse papel. Não pelo sabor da cana, mas por motivos estratégicos. Os ingredientes dos bolos diplomáticos são outros. Podem alterar a receita, de acordo com o tempo e a hora. Também são levados em conta, nessa estranha culinária, os interesses em jogo. Sobretudo eles, tão bem guardados quanto as poções produzidas nos porões e desvãos palacianos. Nem sempre a panela explode, mas quando explode, não é na cozinha em que os magos metem sua colher. Vejamos, por exemplo, a Ucrânia, sob a ameaça iminente de forte traumatismo. Um traumatismo ucraniano, como especulam os humoristas. Estados Unidos da América do Norte e Rússia fizeram daquela parte expelida da falecida URSS a cereja desejada. Ambas as potências pretendem integrar a terra natal de Clarice Lispector ao seu próprio bolo. Putin, devolvendo à Ucrânia a condição de território russo. Neste caso, pesa a história do objeto de desejo, onde a língua natal é a mesma da terra dos czares. Joe Biden não deixa por menos. Tem seus mecanismos e prepostos reunidos na Organização do Tratado do Atlântico Norte, a OTAN. E sabe usar a tecnologia, não apenas para reuniões virtuais. Tudo indica estarmos diante de um novo banquete, de que não se sabe ainda qual comensal sairá mais empanturrado.

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