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A arte e a necessária resistência dos artistas à extrema direita*



“Chega um tempo em que as nuvens não te reconhecem”.

O poeta e amigo Aníbal Beça tinha razão neste verso do poema Constatação.

Como reconhecer o artista como parte ativa da violência, se na história sempre foi resistência ?

Mesmo quando “podaram seus momentos /Desviaram seu destino”, lá estava ele, com sua verve humanística a bradar com a garra de um Capitão Vitorino, do Fogo Morto de José Lins do Rego.

Será que existe um ser que não aprendeu com a Mãe, de Gorki, que a consciência das coisas do mundo pode brotar do amor? ou que temos cheiro sim, e não somos o assassino frio de O Perfume, de Patrick Suskind ?

Ora, a arte não se concilia com a violência, tampouco se torna sua cúmplice. Qualquer tentativa em contrário é uma excrescência condenável e repugnante.

Tem muito artista da Amazônia que não se reconhece na sua arte e nela pisa com a força dos coturnos e dos fuzis, esquecendo a herança literária de um Inglês de Souza, de um Paes Loureiro, a forte presença crítica de Milton Hatoum ou chega a despertar para um Satori, de Luiz Bacellar.

Ah, um satori para mexer com a alma expurgada do artista da guerra.

Melhor seria se fosse um Artista da Fome kafkiano.

Tem muito artista da minha terra a bater continência para Capitão do Mato. Que horror!!!

Que diabo de artista que não vê cultura na Amazônia e aplaude o etnocídio e o genocídio não lhe incomoda? seria um artista ou um ser em plena metamorfose de Franz Kafka, se tornando um inseto asqueroso?

Mas o que nos acalenta é saber que há resistência. Que temos arte e artistas prontos para defender a cultura e todas as boas conquistas da humanidade. Nunca se curvaram e não se curvarão diante da barbárie.

O tempo exige posição, posição firme contra o retrocesso civilizatório. O olhar deve ser para o futuro. No passado, aprendemos com o que não devia ter existido e no presente nos fizemos imprescindíveis para designar o amanhã.

Fiquemos com a Poesia Palestina de Combate

"Aqui

sobre vossos peitos

persistimos

como uma muralha

famintos

nus

provocadores

declamando poemas"


De Lúcio Carril

Sociólogo

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