A 2.455 da Zona Franca de Manaus

Paulo Guedes, o sinistro da deseconomia rói a zona franca pelas beiradas. Com o aplauso de muitos fanáticos não raro confundidos com os que enxergam um palmo adiante do nariz. Pena que a escassa inteligência não prejudique apenas os que a ostentam. Tem razão quem diz que os inimigos (não só da ZFM, mas do Amazonas) estão entre nós.


Postada dia 14 de novembro de 2019 na página Arpoadas (www.nagavea.com.br), a nota acima serve de ilustração à morte agora anunciada: a zona franca foi posta no corredor da morte, dizem os surdos e cegos de ontem. Só agora percebem quanto os interesses econômicos desdenham de salamaleques e reverências indevidas.

Falar do assunto, na forma como ele volta às páginas dos diários e dos comentários que saem da boca dos silentes ou falantes de ontem, exige alguns esclarecimentos. O primeiro deles diz respeito à distância que os críticos, analistas e comentaristas fazem questão de manter em relação a fenômenos típicos dos tempos em que vivemos: a globalização e os avanços do neoliberalismo, dentre outros. Depois, às referências usadas como expressão da opinião emitida.

Há quem veja na fixação da nova alíquota do IPI em 8% o anúncio da morte da zona. Trata-se, portanto, de uma morte anunciada. Muito antes da longevidade que se esperava. O ano de 2073 pode chegar mais cedo, nada tendo a ver com a crônica redigida por Gabriel Garcia Marquez.

Outra expressão, “corredor da morte” passou a ser usada urbe et orbe, quando Cary Whittier Chesmann, um homicida norte-americano, foi condenado à morte nos Estados Unidos da América do Norte. O corredor era o espaço que separava a cela do condenado do instrumento que o mataria. Também o percurso, no espaço e no tempo, do longo processo que o matou na manhã de 02 de maio de 1960. Foram doze anos de luta judiciária.

No caso do suposto bandido da luz vermelha, inúmeras vezes foi tentada a absolvição. Para isso agiram os advogados. Na cela 2.455, Chesmann esperou a absolvição que não veio. No caso da zona franca, parece que os protagonistas são presas do passado e dos interesses que lhes dizem respeito - ao passado e aos agentes.

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