Aula

Nunca é demais lembrar quanto é intolerável qualquer atentado à Constituição. Não custa repetir certa sentença que, antiga, ainda não foi suficientemente compreendida por todos: a um Congresso ou Tribunal fechado é preferível tê-los abertos, com os vícios próprios do ser humano. Estes podem ser corrigidos, desde que respeitadas as regras democráticas. As mesmas que exigem a representação popular e a separação de poderes. Na própria Constituição estão os remédios cuja eficácia repousa no grau de participação dos próprios governados. Daí a consequência lógica do sistema republicano, em que os poderes, autônomos e harmônicos, têm na Constituição o fio condutor: o artigo 3º, onde são estabelecidos os objetivos republicanos. Não fosse assim, toda vez em que testemunhamos a agressão ou o esbulho sofrido por outrem, nada mais justo do que antecipar a possibilidade de sermos a próxima vítima. Sem a menor legitimidade para reclamar ou exigir tratamento diferente.

Na tarde de ontem, a divulgação da reunião ministerial de 22 de abril, fazendo as vezes da frota de Cabral, fez-nos conhecer território sem índios e sem a paradisíaca paisagem encontrada pelos navegantes portugueses, lá se vão 520 anos. Com uma só, mas abissal diferença: a consciência do porto inseguro a que parecemos destinados. Em todo caso, foi a aula de história, política, psicologia, sociologia e tantos outros dos ramos humanos das ciências, essas inimigas de todos quantos teimem em permanecer na caverna. O palavreado utilizado em especial pelo mestre, digno do mais reles lupanar disse a que família o Presidente da República se dirige, quando arrota as grosserias habituais. O mal-estar de alguns dos discípulos-participantes transparecia nos gestos e esgares, salvo o ânimo belicoso de um que outro deles. No mínimo, pode-se ver o tamanho da tragédia em que nos meterem 57 milhões de nossos compatrícios. Enquanto assistíamos às imagens da televisão, centenas morriam nos hospitais onde revólveres e granadas se insinuam.

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