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Ética, cidadania etc.

Soa estranho que as escolas a serem transformadas em quartéis, em São Paulo, sejam as que apresentam melhores índices de aproveitamento na rede escolar daquele Estado. Isso contradiz a suposta intenção do governador Tarcísio de Freitas. Neste caso, melhorar as condições do ensino público, tornando mais eficaz o aprendizado dos alunos que frequentam as escolas mantidas pelo poder público estadual. Não é só desse fato que vem a estranheza de quem se disponha a informar-se sobre o tema. Enquanto integrantes das forças armadas resistem à ideia de modernizar (para não dizer coisa mais pesada) o currículo dos cursos militares, Tarcísio pretende colocar dentro das escolas públicas estaduais oficiais da reserva – da Polícia Militar, como se sabe -, que serão encarregados de ministrar aulas de ética, cidadania e civismo. Nada mais distópico! Afinal, a criminalidade tem crescido no Estado que Tarcísio governa, em grande parte com a contribuição da Polícia Militar. Não há quase um só dia em que a força estadual está ausente do noticiário, e não por motivos dignificantes. Lá, como em várias outras cidades brasileiras, tem sido nefasta e absolutamente incompatível com o Estado Democrático de Direito que a Constituição Federal determina, a atuação dos policiais. Ainda mais quando a militarização das escolas entrega a responsabilidade pela formação política dos estudantes a profissionais egressos de estabelecimentos de instrução e adestramento, negligentes quanto aos valores e procedimentos correspondentes à boa ética e à cidadania. Enquanto não houver prova provada do comportamento adequado dos membros da força policial, impossível admitir ou prever qualquer resultado benéfico – aos estudantes, às suas respectivas famílias e à sociedade. A conduta do indivíduo é que diz do seu apego e respeito às normas éticas. O civismo, que tem mais a ver com os direitos conferidos pela cidadania, tem tradução quase tautológica: corresponde aos interesses civis, não ao desempenho de funções específicas, como o são as de que se encarregariam as organizações castrenses. A militarização das escolas, qualquer que seja o nível em que for promovida e introduzida, nada pode prometer, além de preparar potenciais integrantes das futuras bancadas da bala.


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