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É possível, sim!


Música para meus ouvidos, o texto publicado por Ladislau Dowbor sobre o livro The emerging worldview: how new progressivism is moving neoliberalism – A landscape analysis, de Felicia Wong, publicado pelo Roosevelt Institute soou-me a ratificação de algumas de minhas suspeitas. Pelo menos antecipo duas delas, sem medo de prejudicar a leitura de Dowbor, que considero indispensável aos que tentam compreender o mundo.

Refiro-me, desde logo, ao movimento que conquista cada dia mais adeptos, na “busca de novos rumos”. Como destaca o autor da resenha, ganha força nos meios econômicos e sociais a tese de que é possível construir um mundo melhor. Esta foi, lembremos, máxima amplamente divulgada num dos últimos encontros do Fórum Social, realizado em Belém do Pará, no ano de 2005.

A segunda diz respeito à minha suspeita de que a sociedade é como a querem os societários. Por sua vontade consciente, por sua indiferença majoritária ou por mera subserviência, ou sabe-se lá por que outras razões, os governos conduzem-na segundo os desejos e crenças dos “eleitos”, nem sempre em consonância com o que as pessoas dizem desejar. Daí outra suspeita, adicional: governos não erram, apenas escolhem os beneficiários de seus atos e decisões.

Segundo o professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, quatro são os grupos empenhados em mudar o mundo (sim, o resultado buscado é esse): os novos estruturalistas, os provedores públicos, os transformadores econômicos e a democracia econômica. Cada grupo abordando aspectos particulares da economia mundial, todos convergem para o que Dowbor chama “uma nova visão de mundo”.

O texto deixa ver em que direção vai o movimento e quais as figuras centrais do pensamento econômico e social que nele já se engajaram. Não é surpresa que o nome do francês Thomas Piketty encabece a lista, de que participam desde ( ”visionário”, na palavra do resenhista) Kenneth Galbraith até David Harvey (que ouvi em palestra, no Fórum ocorrido em Belém), passando por outros, como Michael Hudson, Ha Joon Chang, Mariana Mazzucato, François Chesnais, Jonathan Haidt, Frans de Waal e Wolfgang Streeck. Eles certamente constam das 8 páginas da bibliografia do livro comentado, de que Ladislau Dowbor dá notícia em seu texto.

Não se trata de insistir na economia prevalente hoje, em que o mercado se transformou em “ringue de vale-tudo”. Nem de propor um progressivismo vinculado ao passado. Mas de “recolocar a economia em seu devido lugar” e atribuir à sociedade o poder de decidir sobre a regulação dos sistemas.

Só isso permitirá derrubar o mito de que o capitalismo, por sua capacidade de renovação, é a pena a que estão condenados os povos. É o deus a que aludia Basílio da Antióquia oprimindo os povos.

Mais será dito, em texto(s) postado(s) neste mesmo espaço.

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