É demais...

Otimista de carteirinha, simpatizo com a expressão algo piegas: fazer de um limão uma limonada. Que traduzo em outra: a vida é composta de vitórias e lições. Atribuo à inteligência a conversão do que parece derrota em rico processo de aprendizagem. Meus olhos, meus ouvidos e todos os meus sentidos estão abertos, o que me impede de ignorar a realidade. Caso isso ocorresse, estaria eu filiando-me aos ignorantes por opção. Tal opção, pode-se imaginar, se tem algum fundamento, certamente não vai busca-lo na coluna das virtudes, mas na dos vícios. Manter-se na caverna, sem a curiosidade por conhecer a luz do sol jamais será esperado de seres que se julgam superiores aos outros animais. A Ciência, a Geni destes tempos brasileiros, nos diz não bastar a caminhada sobre as duas patas traseiras, nem a conformação biológica para nos alçarmos à pretensa superioridade. Graças a isso, perturbam-me as tentativas de avaliar os ganhos da sociedade dita humana, ao longo de sua trajetória sobre a Terra. Ainda agora, leio avaliações sobre o ontem e o hoje. Formulam-nas profissionais das mais diversas áreas, entretidos sobretudo com os números apresentados em diversas atividades e setores da vida moderna. Para eles, basta os cursos superiores no Brasil registrarem hoje maioria de pretos e pardos inscritos nos cursos antes destinados apenas aos brancos. Outros indicativos numéricos e tecnológicos preenchem as exigências desses estudiosos enviesados. Discutir quanto a sociedade avançou na tecnologia é tolice, tantas e tão exuberantemente festejadas são as conquistas. A propósito, a bomba que destruiu Nagasaki e Hiroshima e o napalm que matou os vietnamitas são duas marcas na história da tecnologia. O que resultou, em termos de humanidade, dessa destruição? Quais os motivos que levaram, como têm levado, à permanente matança, em escala sempre maior, mais avancem os métodos e instrumentos técnicos – equivale dizer, tecnologias – utilizados? Resumo: medir quanto terá avançado o homem, em decorrência dos outros avanços parece-me preocupação removida dos cérebros dos contemporâneos. Meu otimismo rui, diante do que os olhos veem.

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