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À margem...

À margem do calendário mercadológico, para mim o dia das mulheres começa em 01 de janeiro e termina em 31 de dezembro. De todo ano. São os mesmos os sentimentos que carrego comigo, em relação aos pais, mães, filhos, amigos, vizinhos - enfim, a todos os seres humanos. Que devem ser cultuados, respeitados, protegidos, amados dia-pós-dia. Se há tipos e formas diferentes de amor, nem isso compromete a mais legítima expressão do sentimento que nos torna mais próximos dos outros: a solidariedade. O contrário da competição cada dia mais cultivada, traço ancestral marcante da trajetória guerreira herdada de tempos imemoriais. Ao mesmo tempo, ingrediente indispensável à satisfação dessa senhora indesejável e indesejada, vulgarmente conhecida por morte. A ela tem levado o desejo de prevalecer sobre o outro, ainda mais se ele não é nossa cópia. Mesmo os que costumam esconder seus verdadeiros sonhos e projetos, para deles obter domínio sobre o outro, esse traço ancestral não consegue esconder-se totalmente. Muitas vezes, ele leva à inveja, esta outra senhora cujo serviço acaba por levar ao encontro da outra. Colocam-se penduricalhos no calendário gregoriano, sem que se alterem o egoísmo e a prepotência humanas. Ao contrário, tais rubricas justificadoras e legitimadoras de benefícios espúrios e predatórios, estimulam ainda mais dias funestos como se tem testemunhado. A experiência recomenda pouco iniciativas como a Lei Maria da Penha, cujas boas intenções não conseguem superar o egoísmo e a prática que entretêm os que se julgam acima de todos os demais. O eufemismo dos dias disto e daquilo não fazem melhor a sociedade. Com eles, ganham os produtores de slogans e ilusões, não os seres humanos como tais. Vivam todas as mulheres! Todos os que não o são lhes devemos o fato de vir ao mundo. Elas, também. Acaso diferente, esse fato, como qualquer outro na vida do ser que se diz inteligente, só cumprirá o seu destino, se houver amor e solidariedade. Se aqui não estou incidindo em flagrante redundância...


 
 
 

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