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SOB O IMPÉRIO DA DESTRUIÇÃO


José Alcimar e Marcelo Seráfico *


É impressionante o que está acontecendo no Brasil. Parece que todas as instituições foram sequestradas por um bando de marginais.

A causa imediata e superficial deles: livrar seu líder do cumprimento da lei.

A causa mediata e profunda: arruinar, com o apoio do Império, o que resta da república e instaurar o terror.

O Império aposta na ameaça, no caos, na engenharia da destruição. Sob a mais sociopata vontade de poder, investe sem escrúpulos contra os Estados que antes o tinham por aliado.

O Império, ainda poderoso, mas em irreversível desmoronamento, acelera o tempo da erosão do que ainda resta de institucionalidade internacional e impõe ao mundo a desmesura sob medida do crime autolicenciado, da sanção irrecorrível, da degradação de todo imperativo ético. Sob a venalidade do valor de troca o Império normaliza as estruturas mais impulsivas e repulsivas que podem habitar a condição humana.

O Brasil é o grande laboratório da extrema direita transnacional. Se aqui vingarem as estratégias da plutocracia, das duas uma, ou o mundo se rebela e caminhamos para a III Guerra Mundial abertamente ou o mundo será tomado pelo terror do neofascimo, com todas as instituições e constituições escritas com o sangue da resistência.

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*Professores da Universidade Federal do Amazonas. Agosto de 2025.

 
 
 

"O Guardian é um porta-voz de esquerda que deveria ter vergonha de se passar por esquerdistas da resistência desequilibrados como 'especialistas'. Qualquer um que seja patético o suficiente para defender o estado mental de Biden – enquanto é rotulado de antiético por seus pares – tem credibilidade zero. A acuidade mental do presidente Trump é incomparável, e ele está trabalhando dia e noite para garantir acordos incríveis para o povo americano”, disse Liz Huston, porta-voz da Casa Branca.

O mesmo acontece com seus aliados políticos. "Como ex-médico pessoal do presidente Trump, ex-médico do presidente e médico da Casa Branca por 14 anos, em três governos, posso dizer com toda a certeza: o presidente Donald J. Trump é o presidente mais saudável que esta nação já viu. Continuo a consultar seu médico e equipe médica atuais na Casa Branca e ainda passo um tempo considerável com o presidente. Ele está mental e fisicamente mais afiado do que nunca", disse o congressista republicano Ronny Jackson.

Em abril, o médico da Casa Branca de Trump, Dr. Sean Barbabella, escreveu que o presidente "demonstra excelente saúde cognitiva e física e está em plenas condições de exercer as funções de comandante-em-chefe e chefe de Estado". Ele afirmou que Trump foi avaliado quanto à função cognitiva, que se mostrou normal.

Esse relatório não impediu que as pessoas questionassem a acuidade mental de Trump.

“O que vemos são os sinais clássicos de demência, que é uma deterioração grosseira da condição básica e da função de alguém”, disse em junho John Gartner, psicólogo e autor que passou 28 anos como professor assistente de psiquiatria na Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins.

Se você voltar e assistir aos filmes da década de 1980, [Trump] era extremamente articulado. Ele ainda era um babaca, mas conseguia se expressar em parágrafos bem elaborados, e agora ele tem muita dificuldade para completar um pensamento, o que é uma grande deterioração.

Gartner, que durante o primeiro mandato de Trump foi cofundador do Duty to Warn , um grupo de profissionais de saúde mental que acreditava que Trump sofria do transtorno de personalidade narcisismo maligno, alertou: "Eu previ antes da eleição que ele provavelmente cairia do penhasco antes do fim do mandato. E no ritmo em que ele está se deteriorando, você sabe... veremos."

"Mas a questão é que vai piorar. Essa é a minha previsão."

Num momento perigoso para a dissidência nos Estados Unidos

Espero que você tenha gostado deste artigo. Antes de fechar esta aba, gostaria de perguntar se você poderia apoiar o Guardian neste momento crucial para o jornalismo.

Quando os militares são mobilizados para reprimir protestos predominantemente pacíficos, quando autoridades eleitas do partido oposto são presas ou algemadas, quando ativistas estudantis são presos e deportados, e quando uma ampla gama de instituições cívicas — organizações sem fins lucrativos, escritórios de advocacia, universidades, veículos de notícias, artes, serviço público, cientistas — são alvos e penalizados pelo governo federal dos Estados Unidos, é difícil evitar a conclusão de que nossas liberdades fundamentais estão desaparecendo diante de nossos olhos — e a própria democracia está desaparecendo.

Em qualquer país à beira do autoritarismo, o papel da imprensa como motor de escrutínio, verdade e responsabilização torna-se cada vez mais crucial. No Guardian, consideramos nossa função não apenas reportar a supressão de vozes dissidentes, mas também garantir que essas vozes sejam ouvidas.

Nem todas as organizações jornalísticas enxergam sua missão dessa forma – aliás, algumas nos EUA têm sido pressionadas por seus proprietários corporativos e bilionários a evitar antagonizar o governo. Sou grato por o Guardian ser diferente.

Nossa única obrigação financeira é financiar o jornalismo independente perpetuamente: não temos proprietários ultrarricos, nem acionistas, nem chefes corporativos com poder para anular ou influenciar nossas decisões editoriais. O apoio dos leitores é o que garante nossa sobrevivência e salvaguarda nossa independência – e cada centavo que recebemos é reinvestido em nosso trabalho.

A perspectiva global do The Guardian ajuda a contextualizar e iluminar o que estamos vivenciando neste país. Isso não significa que tenhamos um ponto de vista único, mas sim um conjunto de valores compartilhados. Humanidade, curiosidade e honestidade nos guiam, e nosso trabalho se baseia na solidariedade com as pessoas comuns e na

esperança por um futuro compartilhado.


 
 
 

Não é incomum o debate que envolve a reflexão sobre a existência da emoção em processos reivindicados pelo pensamento racional. A complexidade do pensamento exige essa discussão. Não é mais possível criar uma dicotomia como se fosse um conflito entre o bem e o mal.

Na verdade, essa fragmentação razão/emoção tem seu ápice na modernidade, com a ciência querendo o título de domínio de uma suposta racionalidade instrumental e objetiva.

O pensamento que dominaria a verdade e a colocaria a serviço do desenvolvimento humano foi instrumentalizado para gerar e justificar a dominação de novos impérios e nova classe social. O que era pra libertar, oprimiu dolosamente.

A razão da era moderna foi logo abrindo os braços para uma guerra mundial e para a criação de potências imperialistas dispostas a tudo para ampliar seu alcance. O mundo ocidental fez da nova verdade a sua religião e a ciência passou a se proteger no alpendre da igreja comteana.

Ora, com uma razão instrumental que apenas mudou de sujeitos é inexorável trazer à tona o justo desejo da paixão e de todas emoções capazes de iluminar o ser. A fragmentação razão/emoção não se justifica sem causar constrangimento.

Precisamos desafiar as velhas formas de pensar e abrir espaço para a construção de outros diálogos, capazes de criar novas expectativas de vida.

A emoção não pode ficar sob o manto da irracionalidade, se a razão foi incapaz de recriar o ser humano. É preciso tratar a paixão, o amor, a felicidade, o desejo como partes intrínsecas do pensamento moderno e de uma nova cosmovisão.

A sociologia já se desprendeu desse caminho pedregoso da razão pura e mergulhou no estudo da estética, não só como princípio da arte, mas fundamentalmente em referências às emoções.

Não é possível estudar a sociedade sem considerar os indivíduos e suas construções como seres sensíveis. A sociedade é construída da razão e da emoção. Ainda bem. Imagina um mundo somente da razão. Não seríamos gente, mas máquina, tal qual tenta nos fazer o capitalismo.

Para transformar o mundo, é preciso potencializar todas as emoções potencialmente transformadoras do ser.


Lúcio Carril

Sociólogo



Para Carril, a sociedade do futuro nasce onde razão e emoção deixam de ser inimigas.


Leia artigo do sociólogo no BNC Amazonas 📲





Não é incomum o debate que envolve a reflexão sobre a existência da emoção em processos reivindicados pelo pensamento racional. A complexidade do pensamento exige essa discussão. Não é mais possível criar uma dicotomia como se fosse um conflito entre o bem e o mal.


Na verdade, essa fragmentação razão/emoção tem seu ápice na modernidade, com a ciência querendo o título de domínio de uma suposta racionalidade instrumental e objetiva.


O pensamento que dominaria a verdade e a colocaria a serviço do desenvolvimento humano foi instrumentalizado para gerar e justificar a dominação de novos impérios e nova classe social. O que era pra libertar, oprimiu dolosamente.


A razão da era moderna foi logo abrindo os braços para uma guerra mundial e para a criação de potências imperialistas dispostas a tudo para ampliar seu alcance. O mundo ocidental fez da nova verdade a sua religião e a ciência passou a se proteger no alpendre da igreja comteana.


Ora, com uma razão instrumental que apenas mudou de sujeitos é inexorável trazer à tona o justo desejo da paixão e de todas emoções capazes de iluminar o ser. A fragmentação razão/emoção não se justifica sem causar constrangimento.


Precisamos desafiar as velhas formas de pensar e abrir espaço para a construção de outros diálogos, capazes de criar novas expectativas de vida.


A emoção não pode ficar sob o manto da irracionalidade, se a razão foi incapaz de recriar o ser humano. É preciso tratar a paixão, o amor, a felicidade, o desejo como partes intrínsecas do pensamento moderno e de uma nova cosmovisão.


A sociologia já se desprendeu desse caminho pedregoso da razão pura e mergulhou no estudo da estética, não só como princípio da arte, mas fundamentalmente em referências às emoções.


Não é possível estudar a sociedade sem considerar os indivíduos e suas construções como seres sensíveis. A sociedade é construída da razão e da emoção. Ainda bem. Imagina um mundo somente da razão. Não seríamos gente, mas máquina, tal qual tenta nos fazer o capitalismo.


Para transformar o mundo, é preciso potencializar todas as emoções potencialmente transformadoras do ser.


Lúcio Carril

Sociólogo

 
 
 
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