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Vivemos tempos no mínimo confusos. As contradições afloram em textos e declarações, algumas vezes atribuíveis à leviandade com que os assuntos são tratados, podendo ser atribuída a não sem quantas causas. Suponho que dentre estas podem ser incluídas a ignorância a respeito da matéria e a desonestidade intelectual. Todos se acham no direito de opinar sobre todo e qualquer problema ou assunto, mesmo se rasteira a informação acumulada sobre o objeto do debate. Outras vezes, ocorre de o pretenso analista acumular razoável conhecimento, mas o atrelamento a alguma ideologia ou corrente de pensamento o faz desprezar a verdade. Neste caso, não só há o sacrifício da verdade, mas o arrazoado perde substância, expondo a fragilidade intelectual ou mental do autor. Tem sido frequente, hoje, ouvirmos e lermos comentários desprezíveis, porque contraproducentes, seja à elucidação do problema. seja à imagem do.autor. Detenho-me, especificamente na defesa da propagação de fake-news, sob o pretexto de assegurar a liberdade de expressão. Por tudo quanto sabemos, os prejuízos causados a terceiros pela disseminação de mentiras só pode merecer o aplauso ou o acatamento dos que têm interesse nela. É como se cada qual.pudesse agir e falar segundo sua própria vontade, sem a menor consideração pelo outro. Nada mais que o regresso a um tempo em que sequer se poderia cogitar do que modernamente chamamos ordenamento jurídico. Não se conhece sociedade moderna, sem que a Lei - em seu conjunto chamada ordem jurídica - indique os limites em que a liberdade individual deve conter-se. A persecução judicial, sempre possível quando há delitos praticados, não elimina a obrigação de o Estado prevenir a ocorrência do delito. Até porque, nas repúblicas, a proteção dos direitos coletivos e o interesse público sobrepõem-se aos interesses e direitos individuais, salvo aqueles que dizem respeito à cidadania. À parte a desonestidade intelectual, percebe-se acentuada carência de conhecimento das noções de liberdade e República em boa parte dos pretensos analistas.

 
 
 

Atualizado: 25 de jan. de 2022

Alinho-me dentre os que admitem, defendem e reivindicam o financiamento público rigorosamente exclusivo das eleições. Chego a advogar punição pesada sobre qualquer (empresa ou cidadão)apoiador que doe 10 centavos ou 100 milhões de reais a candidatos ou partidos. Entendo tratar-se de matéria tão intimamente ligada à democracia, por isso merecedora de toda atenção. Sobretudo, dos cidadãos hostis a qualquer desequilíbrio na disputa eleitoral. A manutenção e o funcionamento de partidos devem, por isso, ser prestigiados. É preciso, portanto, que o Erário tenha como sua a responsabilidade de assumir os gastos daí decorrentes. Dentro, é evidente, de limites que a Lei deve estabelecer. Aí, então, não há como manter inativas as máquinas oficiais de calcular. Admito não ser fácil tal exercício, quando há dezenas de partidos no País. Já deixei para trás a certeza de que melhor para a democracia seria ter tantos partidos quanto as orientações ideológicas possíveis de adotar. Assim, penso que alguma restrição há de ser imposta à proliferação leporina de agremiações partidárias. A primeira vantagem para a democracia teria na constituição de bases parlamentares mais fortes sua configuração. Como nos negócios, a que nossos agentes políticos têm reduzido a política, operar no atacado custa menos que no varejo. Efeitos sobre os custos da democracia logo seriam sentidos, tanto quanto seria menor o montão de dinheiro do contribuinte a aplicar em - saúde e educação, para ficar nos exemplos mais carentes. Tudo isso, para dizer despropositada a intenção do Presidente da Câmara, cuja lira lembra menos uma orquestra sinfônica que o incendiário de Roma. Mesmo fossem outras nossas atuais necessidades, convenhamos, quase sete bilhões de reais são demasiado para o Fundo Partidário.

 
 
 

Mantivemos fraternas relações com o ex-Prefeito Manoel Ribeiro, morto nesta manhã, quando ele se confessava apolítico. Aproximados dele pelo amigo Djalma Melo, algumas vezes fomos à casa do Manoel, jogar conversa fora, enquanto contabilizávamos os pontos das cartas do buraco. Minhas ideias e convicções eram desdenhadas, quando não objeto de gozação. Meu engajamento contrastava com a indiferença política dele e do amigo que nos aproximara. Feito Secretário de Administração da Prefeitura de Manaus, não passei mais que 20 meses no cargo. Eventualmente, tive contatos oficiais com ele. Convertido e seduzido pelo sabor da política, mesmo sem alcançar o sentido da Política, Manoel era vice-governador do Estado. A Presidência da Associação dos Importadores, já ex-diretor de uma empresa (Alfema), facilitou sua inclusão na chapa que devolveu Gilberto Mestrinho ao governo. Aqui, um depoimento, talvez útil para os que se revoltam contra tanta intolerância e ódio. Uma comparação entre o ontem e o hoje.

 
 
 
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