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Reúno mais de oitenta imagens de Dom Quixote, em minha coleção. Tenho-a exposta em minha casa, onde uma galeria/corredor acolheu a maioria delas, confeccionadas dos mais diversos materiais e apresentando as facetas com que se apresenta a imortal criação de Miguel de Cervantes. Criada por minha mulher e pelo arquiteto Oswaldo Tinoco, a galeria abriga parte da coleção. Ali, podem-se encontrar desde minúscula pipeta em cujo interior se instala o cavaleiro montado, feito de um palito de dentes, até o conjunto de peças metálicas de antiga máquina de escrever, ostentando garboso o homem de la Mancha. Há peças feitas por encomenda e materiais insuspeitados (papel maché; pregos e parafusos; talher em metal; balata; resíduos de azulejo; origami; papéis velhos e rasgados; cerâmica; etc.) muitas delas postadas neste blog, ao longo de quase três anos. Enquanto se sucederão até janeiro de 2023 imagens desenhadas por Gustave Doré, dos mais importantes ilustradores da obra cervantina, não resisti à postagem da mais recente peça. Trata-se de trabalho que revela a compatibilidade de proteção do ambiente e demonstração de talento e responsabilidade social. Produto do talento de Claudinei Roberto Nanzi, de Jundiaí, a imagem do cavaleiro andante é feita com restos de garrafas PET. Antes dedicado ao trabalho em madeira, Nei Nanzi visitou Rondônia e ficou chocado com os maus tratos impostos ao ambiente, a floresta mais notadamente. Decidiu-se, então, pela substituição de materiais, de modo a contribuir para a proteção ambiental. Nada do que o artesão faz utiliza materiais cuja obtenção resultaria em dano ambiental. Na pintura das peças ele usa tinta à base d´água. A belíssima peça foi-me presenteada pelo filho Gustavo, sua mulher Luciana e os netos Lucas e Matheus. Quem quiser saber mais, além de ver a figura acima deste texto, pode recorrer a uma das edições do Repórter Eco - htpps://bit.ly/ZVFY04y.


 
 
 

Queimem-se as caras descaradas

torrem-se as esperanças

dos que ainda crêem

é preciso praticar a

oferenda

entoar os cânticos de fogo

polir as armas

adestrar os dedos

untar de óleo e ódio

os gatilhos


A primeira etapa desta guerra

sem quartel ou com milhares

deles

prossegue em intensa disparada

logo a terra receberá

adubo de esperança

fertilizada pela ação

de vírus e outros

coroados


Ao que da terra brotou

e se ergueu

não é oferecido destino

diferente

chamas se incumbem

de fazê-las cinzas

tropel louco

de ruidos e ganância

sob a coberta

de canetas e mandatos


Acionem-se câmeras

aflitas

enquanto possível a

tomada derradeira

os que virão precisam

ter notícia

menor que seja

em meio ao deserto

ressecado

do que um dia

foi inferno

verde porém

apenas literário.


Manaus, 01.07.2022, sob o anúncio de maior desmatamento, nos últimos 15 anos.


 
 
 

Atualizado: 5 de jul. de 2022

Acabo de assistir, on-line, a um debate (se não é exagero dizer assim) sobre a economia amazônica, amazonense em especial. Apresentado por Márcio Holland e mediado pelo professor Daniel Vargas (EAESP/FGV), o diálogo contou com a participação do Secretário de Estado da Fazenda do Amazonas, Alex del Giglio e do professor Samuel Pessoa, do Instituto Brasileiro de Economia/FGV. A intenção, ao que pude perceber, seria apontar caminhos para o desenvolvimento econômico, constatadas as restrições atuais e as ameaças que pairam sobre a região. De forma unânime, as manifestações dirigiram-se sobretudo aos percalços por que passa a política de incentivos fiscais concedidos à produção das unidades integrantes da zona franca instalada na capital amazonense. Dois aspectos, dentre outros que poderia destacar, chamaram minha atenção. O primeiro deles, o apego dos expositores à expressão capital humano. No meu entendimento, não mais que a revelação do homem como simples, pobre e mero fator de produção. Outro, a transparente negligência de qualquer dos expositores em relação aos fundamentos, compromissos e objetivos da zona franca. Talvez a história econômica da Amazônia conseguisse inspirar melhor os que se dispõem a tratar do assunto. Não faltarão livros, artigos, ensaios e outros materiais onde se encontram subsídios indispensáveis ao trato sério e responsável da matéria. Samuel Benchimol, Armando Dias Mendes, Luis Osíris da Silva, Roberto Santos, Alfredo Kingo Homma, Marcelo Seráfico, Marilene Correa, Serafim Correa, Renan Freitas Pinto são alguns dos que estudaram ou vêm estudando o fenômeno. O curioso é todos destacarem as peculiaridades da Amazônia e proclamarem a necessidade de encontrar respostas na inovação. Na hora de apresentar propostas, todas elas apenas tentam reproduzir experiências frustradas. Mais do mesmo dificilmente se prestará a mais que somar fracassos.

 
 
 
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